QUARTA-FEIRA, 19 DE AGOSTO DE 2026
Mulher idosa com visualização holográfica do cérebro em investigação sobre o Alzheimergerado por IA

Suplementos para Alzheimer: o que diz a ciência?

Será que as vitaminas e os suplementos para Alzheimer conseguem prevenir ou tratar a doença? Esta questão preocupa milhões de pessoas em todo o mundo que procuram formas de preservar a sua saúde cerebral na velhice. A publicidade promete frequentemente milagres: multivitamínicos para melhorar a memória, antioxidantes para proteger os neurónios, bebidas nutricionais específicas contra a demência. Mas o que diz a ciência? A resposta é desanimadora e, em parte, alarmante: a maioria dos suplementos de vitaminas e minerais é ineficaz na doença de Alzheimer — e alguns, como os suplementos de cálcio, podem inclusive duplicar o risco de demência. Neste artigo de base científica, analisamos 14 grandes estudos clínicos que revelam por que razão o Centrum Silver, a vitamina E, o beta-caroteno, o Souvenaid e outros suplementos não cumprem o que prometem.

Doença de Alzheimer e o papel dos antioxidantes

A doença de Alzheimer é uma patologia neurodegenerativa que conduz a uma perda progressiva de memória e ao declínio cognitivo. É a forma mais comum de demência e afeta milhões de pessoas em todo o mundo. No cérebro dos doentes com Alzheimer formam-se placas amiloides características e novelos neurofibrilares de proteína tau, que danificam e destroem os neurónios.

Uma observação interessante: os doentes com Alzheimer apresentam níveis sanguíneos significativamente mais baixos em 8 de 10 antioxidantes analisados. Isto poderá indicar que o stress oxidativo desempenha um papel no desenvolvimento da patologia. No entanto, é necessária cautela — esta relação pode também ser apenas uma consequência: as pessoas com demência tendem a ter uma alimentação mais deficitária, consumindo menos fruta e legumes.

Esta constatação deu origem a uma questão lógica: poderão os antioxidantes como a vitamina E, a vitamina C ou o beta-caroteno ser úteis na prevenção do Alzheimer? Ao longo de décadas, foram realizados grandes estudos clínicos para investigar exatamente essa hipótese. Os resultados são inequívocos — e dececionantes.

Vitamina E e selénio: o estudo PREADViSE

Vitaminas para prevenir demência: a vitamina E funciona?

A vitamina E é considerada um dos mais potentes antioxidantes lipossolúveis e foi apontada durante muito tempo como uma candidata promissora para a prevenção do Alzheimer. O estudo PREADViSE (Prevention of Alzheimer’s Disease by Vitamin E and Selenium) avaliou de forma sistemática se a vitamina E ou o selénio poderiam reduzir o risco de demência.

O resultado: a vitamina E NÃO demonstrou qualquer eficácia na prevenção da demência. O selénio, um oligoelemento essencial com propriedades antioxidantes, revelou-se igualmente ineficaz. Os participantes que tomaram vitamina E ou selénio durante anos desenvolveram demência com a mesma frequência que o grupo que tomou placebo.

Este estudo foi particularmente relevante devido ao seu longo período de acompanhamento e ao elevado número de participantes. A esperança de que os antioxidantes pudessem proteger as células cerebrais da degeneração não se confirmou.

Porque falha a vitamina E no Alzheimer?

Existem várias explicações possíveis: em primeiro lugar, o stress oxidativo no Alzheimer poderá ser uma consequência e não uma causa. Em segundo lugar, os antioxidantes administrados por via oral poderão não alcançar o cérebro em concentrações suficientes. Em terceiro lugar, a doença de Alzheimer é uma patologia complexa com múltiplas causas — um único antioxidante não consegue travar essa complexidade.

Beta-caroteno e vitamina C: estudos de longo prazo com resultados mistos

Beta-caroteno: funciona de forma diferente nos homens e nas mulheres?

No estudo Physicians’ Health Study de Harvard, cerca de 6.000 homens idosos foram selecionados aleatoriamente para receber beta-caroteno ou um placebo. O beta-caroteno é o precursor da vitamina A e encontra-se naturalmente em vegetais de cor laranja e amarela, como cenouras e batata-doce.

Ao fim de três anos, não se verificou qualquer diferença entre os grupos. Porém, após 11 anos, os homens que tomaram diariamente a quantidade de beta-caroteno equivalente a cerca de 150 gramas de batata-doce apresentaram um desempenho cognitivo ligeiramente superior. O efeito foi estatisticamente significativo, mas muito reduzido.

Contudo, um estudo semelhante realizado com mulheres idosas não encontrou qualquer benefício cognitivo ao fim de nove anos. A que se devem estes resultados discrepantes? É possível que nas mulheres seja necessário mais tempo para que um efeito se torne visível — ou que a ação varie consoante o sexo. Também é plausível que o pequeno efeito observado nos homens tenha sido apenas um acaso estatístico.

Vitamina C: insuficiente e tardia?

A vitamina C, um antioxidante hidrossolúvel, também foi alvo de testes. Em grandes ensaios, a vitamina C começou por falhar por completo — apenas na nona avaliação anual o grupo da vitamina C pareceu obter uma ligeira vantagem.

No entanto, quando os investigadores testaram combinações — vitamina C associada a vitamina E e beta-caroteno —, dois grandes estudos clínicos (um com 1.500 participantes durante sete anos e outro com mais de 20.000 voluntários ao longo de cinco anos) não demonstraram qualquer benefício cognitivo para este cocktail de antioxidantes.

A mensagem é clara: os suplementos de antioxidantes, administrados isoladamente ou em combinação, não oferecem uma proteção fiável contra a doença de Alzheimer ou o declínio cognitivo.

Multivitamínicos e vitaminas: Alzheimer e o estudo dececionante do Centrum Silver

Os multivitamínicos ajudam contra o Alzheimer?

Se as vitaminas isoladas não ajudam, poderá um complexo abrangente de multivitaminas e multiminerais ser a solução? O estudo Physicians’ Health Study de Harvard avaliou também a toma diária de Centrum Silver, um dos suplementos multivitamínicos mais conhecidos para pessoas mais velhas.

Ao longo de 12 anos, milhares de homens tomaram diariamente Centrum Silver ou um placebo. O resultado foi desanimador: o grupo que tomou Centrum NÃO apresentou benefícios cognitivos em comparação com o grupo do placebo. Não se verificou uma melhoria da memória, nenhum abrandamento do envelhecimento cognitivo nem uma redução do risco de demência.

Este estudo é especialmente relevante porque os multivitamínicos estão entre os suplementos alimentares mais vendidos em todo o mundo. Muitas pessoas recorrem a eles na esperança de melhorar a sua saúde geral e, em particular, a sua agilidade mental. O estudo do Centrum Silver demonstra que, pelo menos para a prevenção do Alzheimer, estes produtos são inúteis.

O que significa isto na prática?

Os suplementos multivitamínicos podem ser úteis em casos comprovados de carência nutricional. Contudo, na prevenção da doença de Alzheimer em pessoas saudáveis e sem défices nutricionais, não têm eficácia. É um gasto que se pode evitar — investindo antes numa alimentação saudável e equilibrada, rica em fruta e produtos hortícolas.

Souvenaid: a «bebida milagrosa» que falhou

O que é o Souvenaid?

O Souvenaid é uma bebida nutricional médica desenvolvida especificamente para pessoas com doença de Alzheimer. Contém uma fórmula patenteada de nutrientes denominada Fortasyn Connect, composta por ácidos gordos ómega-3, fosfolípidos, vitaminas e outras substâncias. O conceito base: estes nutrientes deveriam apoiar a formação de sinapses no cérebro e, deste modo, melhorar a função cognitiva.

A publicidade prometia muito, mas a ciência diz o oposto.

O Souvenaid funciona na doença de Alzheimer?

Foram realizados três grandes ensaios clínicos aleatorizados e controlados com mais de 1.000 pessoas no total. Os resultados foram claramente negativos:

  • O Souvenaid NÃO preveniu o desenvolvimento de demência;
  • O Souvenaid teve, muito provavelmente, pouco ou nenhum efeito na memória ou noutras capacidades cognitivas;
  • Não se observou qualquer efeito positivo, tanto em pessoas com défice cognitivo ligeiro (DCL) como em doentes com Alzheimer.

Uma revisão Cochrane de 2020, considerada o padrão de ouro da evidência médica, concluiu: o Souvenaid não funciona. Apesar dos mecanismos de ação teoricamente plausíveis e da formulação complexa, a bebida não conseguiu demonstrar eficácia na prática clínica.

Este dado é particularmente desanimador, visto que o Souvenaid não é barato e é comercializado diretamente a familiares angustiados de doentes com Alzheimer. A evidência científica não sustenta essas expectativas.

Zinco e outros minerais: igualmente ineficazes

O zinco ajuda no declínio cognitivo?

O zinco é um oligoelemento essencial com funções cruciais no organismo, incluindo o funcionamento cerebral. Havia a hipótese de que a toma de suplementos de zinco pudesse melhorar a cognição em idosos.

O estudo ZENITH (Zinc Effects on Nutrient and Inflammatory Trends in Healthy aging) testou esta hipótese de forma sistemática. O resultado: o zinco falhou na melhoria da cognição global após meses ou anos de suplementação. Nem a memória, nem a atenção, nem outras funções cognitivas registaram melhorias com o consumo de zinco.

Também neste caso se aplica a regra: perante uma carência comprovada de zinco, a suplementação é indicada. Contudo, como medida preventiva contra o Alzheimer em pessoas saudáveis, o zinco não é eficaz.

Suplementos de cálcio: a verdade alarmante

Enquanto a maioria das vitaminas e minerais é «apenas» ineficaz, no caso dos suplementos de cálcio existem indícios preocupantes de potenciais danos para a saúde.

Os suplementos de cálcio podem aumentar o risco de demência?

Diversos estudos sugerem que os suplementos de cálcio podem ser problemáticos:

Lesões cerebrais: num estudo transversal, os idosos que tomavam suplementos de cálcio apresentaram mais lesões hiperintensas na substância branca do cérebro. Estas surgem na ressonância magnética como manchas claras e são indicativas de microenfartes cerebrais — um fator de risco para a demência vascular.

Risco de demência duplicado: num estudo longitudinal, as mulheres que tomavam suplementos de cálcio apresentaram um risco duas vezes superior de desenvolver demência. Esta associação foi especialmente acentuada em mulheres com historial de doença cerebrovascular.

Women’s Health Initiative: sinais contraditórios

O abrangente estudo Women’s Health Initiative procurava esclarecer a questão de forma definitiva. Milhares de mulheres idosas foram distribuídas aleatoriamente para receber cálcio com vitamina D ou um placebo durante cerca de oito anos.

Resultado: à primeira vista, não parecia existir diferença no risco de demência. No entanto, existia um problema metodológico: mais de metade das mulheres já tomava suplementos de cálcio por iniciativa própria antes de entrar no estudo. Esse facto distorceu os resultados de forma significativa.

Quando os investigadores reanalisaram os dados, considerando apenas as mulheres que NÃO tomavam cálcio anteriormente, o cenário mudou: a toma de suplementos de cálcio aumentou significativamente o risco de enfarte do miocárdio e AVC. Uma meta-análise de todos os estudos sobre o cálcio confirmou: verificou-se um aumento de 15% nos casos de enfarte ou AVC nos grupos com suplementação de cálcio em comparação com o placebo.

Ainda se aguarda uma reanálise equivalente para os dados relativos à demência. Não obstante, os dados apontam num sentido claro: os suplementos de cálcio podem trazer mais riscos do que benefícios.

Devemos evitar os suplementos de cálcio?

Para a grande maioria das pessoas, a resposta é sim. O cálcio deve ser obtido prioritariamente através da alimentação — com laticínios, vegetais de folha verde, amêndoas, sementes de sésamo e água mineral rica em cálcio. Os suplementos só fazem sentido em situações médicas específicas ou carência comprovada e, mesmo nesses casos, devem ser tomados unicamente com supervisão médica.

Por que razão falham os suplementos para Alzheimer?

A questão é perfeitamente legítima: se as vitaminas e os minerais são vitais para o bom funcionamento do cérebro, porque é que os suplementos para Alzheimer não funcionam?

Existem várias razões possíveis:

  1. Complexidade da patologia: a doença de Alzheimer tem múltiplas causas — placas amiloides, novelos de proteína tau, inflamação e lesões vasculares. Um único nutriente não tem a capacidade de travar estes processos complexos.
  2. Momento de intervenção: o Alzheimer começa a desenvolver-se décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas. Quando a neurodegeneração já está em curso, os suplementos chegam tarde demais.
  3. Biodisponibilidade: as vitaminas tomadas por via oral podem não atingir o cérebro em concentrações suficientes ou ser eliminadas demasiado depressa pelo organismo.
  4. Ação isolada versus sinergia alimentar: na fruta e nos produtos hortícolas, milhares de compostos bioativos atuam em conjunto de forma sinérgica. Uma vitamina isolada sob a forma de comprimido não consegue replicar essa matriz complexa.
  5. Ausência de défices nutricionais: a grande maioria dos participantes nos ensaios clínicos não apresentava carências vitamínicas ou minerais. Quem já possui níveis adequados não obtém benefícios adicionais com doses suplementares.

O que ajuda realmente na prevenção do alzheimer?

Se os suplementos para alzheimer não funcionam, o que resta? A boa notícia: existem medidas verdadeiramente eficazes para a prevenção do alzheimer, baseadas em evidência científica sólida.

Alimentação: alimentos integrais em vez de vitaminas para prevenir demência

Em vez de tomar vitaminas alzheimer ou comprimidos isolados, aposte numa alimentação completa e de base vegetal:

  • Muitos vegetais e fruta variada (antioxidantes naturais)
  • Produtos e cereais integrais
  • Frutos secos e sementes
  • Leguminosas
  • Alimentos ricos em ómega 3 (sementes de linhaça, nozes, peixe gordo)

A dieta mediterrânica e a dieta MIND demonstraram em estudos clínicos que podem reduzir o risco de desenvolver a doença de alzheimer e retardar o declínio cognitivo.

Exercício físico: o fator de proteção subestimado

A atividade física regular é um dos fatores de proteção mais fortes contra a doença de alzheimer. Apenas 30 minutos diários de caminhada em passo acelerado podem reduzir significativamente o risco.

Atividade mental e contactos sociais

Um cérebro ativo envelhece mais devagar. Ler, resolver palavras cruzadas ou quebra-cabeças, aprender coisas novas, tocar um instrumento musical — tudo isto ajuda. Igualmente importantes são os contactos sociais e uma vida social ativa.

Controlar os fatores de risco

A hipertensão arterial, a diabetes, o excesso de peso e o tabagismo aumentam o risco de alzheimer. Controlar estes fatores é muito mais importante do que qualquer suplemento alimentar.

Sono e gestão do stresse

Um sono suficiente e de qualidade é essencial para a saúde cerebral. Durante o sono, as proteínas tóxicas são eliminadas do cérebro. O stresse crónico prejudica o cérebro — técnicas de relaxamento como a meditação podem ajudar.

Conclusão: Fuja dos suplementos para alzheimer sem eficácia

A evidência científica é inequívoca: os suplementos para alzheimer à base de vitaminas e minerais provavelmente não ajudam a prevenir nem a tratar a doença. Isto aplica-se à vitamina E, vitamina C, beta-caroteno, multivitamínicos como o Centrum Silver, produtos especializados como o Souvenaid, zinco e muitos outros.

Particularmente alarmante: os suplementos de cálcio podem até aumentar o risco de demência e estão associados a um risco acrescido de enfarte do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).

A indústria milionária dos suplementos alimentares vive de falsas esperanças. O marketing promete agilidade mental e proteção contra a demência — mas a realidade é desanimadora. 14 grandes estudos clínicos com dezenas de milhares de participantes comprovam: as promessas não se confirmam.

Poupe o seu dinheiro e invista antes num estilo de vida saudável: alimentação completa, exercício físico regular, atividade mental e social, bom sono e gestão do stresse. Estes são os verdadeiros fatores de proteção contra a doença de alzheimer — e não custam um cêntimo a mais, apenas um pouco de iniciativa pessoal.

Fontes científicas

Simon G. - GesundeFakten Redaktion