Alimentação vegana para quem treina: funciona realmente? Esta questão suscita dúvidas a muitos atletas veganos e desportistas que pretendem otimizar a sua alimentação. A resposta da ciência é clara: uma alimentação de base vegetal não só fornece todos os nutrientes necessários para alcançar o rendimento desportivo de topo, como também traz benefícios adicionais para a saúde que vão muito além da simples performance física.
Exemplos históricos de sucesso vão desde os gladiadores romanos até aos lendários índios Tarahumara, que corriam ultramaratonas de 260 quilómetros por desporto e lazer — o equivalente a seis maratonas consecutivas. A investigação moderna confirma: a curto prazo não se verificam desvantagens no rendimento desportivo, enquanto a longo prazo existem benefícios substanciais para a saúde, tanto em desportos de resistência como para atletas de força.
Índice
- Principais conclusões
- Atletas veganos ao longo da história
- Qual o papel da dieta vegana no desporto de alta competição?
- Hidratos de carbono, gordura e proteína como combustíveis
- Proteína vegana para atletas: o poder da proteína vegetal
- Comparação de rendimento: alimentação vegana vs. omnívora
- Benefícios da dieta vegana no desporto para a saúde a longo prazo
- O que comem concretamente os atletas veganos?
- Hidratação: beber para um rendimento ótimo
- Perguntas frequentes
- Fontes científicas
Principais conclusões
- A curto prazo (dias/semanas): não há diferenças de rendimento desportivo na resistência, força ou velocidade (sprint) entre uma dieta vegana e uma omnívora
- Evidências históricas: gladiadores romanos e índios Tarahumara destacaram-se como atletas de alta competição com uma base vegetal
- A alimentação de base vegetal contém mais antioxidantes para combater o stresse oxidativo induzido pelo treino
- Propriedades anti-inflamatórias aceleram a recuperação muscular e a restauração da força
- A longo prazo: redução drástica do risco de doenças cardiovasculares, cancro, diabetes tipo 2 e demência
- Dieta vegana rica em hidratos de carbono é ideal para as reservas de glicogénio e o rendimento em desportos de resistência
Atletas veganos ao longo da história: de gladiadores a ultramaratonistas
A história reúne exemplos impressionantes de desportistas de elite com dietas vegetarianas e vegetais. Análises arqueológicas aos ossos de gladiadores romanos revelam que os melhores atletas da Roma Antiga seguiam uma alimentação predominantemente vegetal. Os seus ossos apresentam níveis de estrôncio que apontam para uma dieta assente em cereais e legumes.
Um exemplo ainda mais marcante é o dos índios Tarahumara, no México. Esta comunidade indígena é mundialmente célebre pela sua extraordinária capacidade de resistência física. Realizam habitualmente ultramaratonas de 260 quilómetros — não por competição, mas por diversão. A sua alimentação tradicional baseia-se sobretudo em milho, feijão e hortícolas.
Estas evidências históricas demonstram que a alimentação vegetal no desporto não é uma moda recente, tendo sido praticada com grande êxito por atletas de alta competição em épocas passadas. A dúvida sobre o impacto do estilo de vida vegano no desporto não surge apenas nos dias de hoje — a história já lhe deu resposta.
Qual o papel da dieta vegana no desporto de alta competição?
Tanto os atletas profissionais como os praticantes de desporto de recreio procuram continuamente formas de melhorar o seu rendimento. Muitos recorrem a suplementos alimentares, pós proteicos e suplementação desportiva, descurando a base de tudo: a alimentação diária, que é o fator determinante para o sucesso.
Embora os fatores genéticos, físicos e psicológicos desempenhem um papel relevante, hábitos alimentares desadequados e carências nutricionais podem comprometer gravemente a capacidade física. Devido ao elevado nível de atividade física, quem treina necessita de um plano alimentar específico, com um aporte energético superior em termos de calorias.
Para quem pratica desporto, recomenda-se uma alimentação equilibrada, rica em hidratos de carbono, moderada em gorduras e adequada em proteínas. É precisamente aqui que se destacam as vantagens da nutrição vegetal: os alimentos de origem vegetal fornecem naturalmente uma elevada percentagem de hidratos de carbono, além de fitoquímicos antioxidantes e vitaminas em abundância.
A alimentação vegana revela-se excelente no desporto por ser abundante em vitaminas, minerais e antioxidantes — micronutrientes essenciais que ajudam o organismo a converter e utilizar a energia de forma eficiente, protegendo-o simultaneamente do stresse oxidativo causado pelo exercício físico intenso.
Hidratos de carbono, gordura e proteína: combustíveis para o rendimento ideal
O organismo queima sempre uma combinação de hidratos de carbono, gordura e proteína. O combustível utilizado preferencialmente depende da duração e intensidade do treino, do nível de condição física e da quantidade inicial de glicogénio muscular disponível.
Serão os hidratos de carbono a principal fonte de energia no desporto?
Em treinos de alta intensidade, os hidratos de carbono funcionam como o combustível principal. Na verdade, entre 55% e 75% das calorias diárias de quem pratica desporto devem provir de hidratos de carbono. Em desportos de resistência ao nível competitivo, este valor pode ser ainda mais elevado.
O glicogénio é a forma de armazenamento dos hidratos de carbono nos músculos e no fígado. Quando a exigência energética aumenta, a musculatura recorre a essas reservas de glicogénio. Manter as reservas musculares de glicogénio repletas é crucial, sobretudo para praticantes de desportos de resistência.
Excelentes fontes vegetais de hidratos de carbono para o rendimento desportivo:
- Cereais integrais (flocos de aveia, espelta, arroz integral, quinoa)
- Fruta (bananas, tâmaras, frutos vermelhos)
- Legumes e tubérculos (batata-doce, batata, abóbora)
- Leguminosas (lentilhas, grão-de-bico, feijão)
Qual é o papel da gordura na alimentação desportiva de base vegetal?
Em treinos mais longos e de intensidade moderada ou baixa, a gordura passa a ser a principal fonte energética. Este processo poupa as reservas de hidratos de carbono corporais e possibilita sessões de treino mais prolongadas. Embora uma ingestão elevada de hidratos seja recomendada para o rendimento, não há necessidade de elevar o consumo de gorduras além dos habituais 10% a 30% do total calórico.
Quando necessário, o corpo mobiliza os lípidos armazenados no tecido muscular. Fontes vegetais saudáveis de gordura para quem segue uma alimentação vegetal:
- Frutos gordos e pastas de frutos gordos (manteiga de amendoim, amêndoa)
- Sementes (sementes de linhaça, chia, sementes de cânhamo)
- Abacate
- Óleos vegetais de qualidade superior (azeite virgem extra, óleo de linhaça)
De quanta proteína necessitam realmente os atletas veganos?
Comparativamente aos hidratos de carbono e às gorduras, a proteína é muito pouco utilizada como fonte primária de energia. A sua função primordial consiste na construção, manutenção e reparação dos tecidos corporais, em particular da massa muscular.
Uma alimentação rica em hidratos de carbono reveste-se da maior importância para o desportista. Deste modo, os hidratos de carbono são armazenados de forma ideal, fornecendo energia rápida durante o treino e potenciando a prestação tanto em atletas de força como de resistência. Uma alimentação de base vegetal, rica em cereais integrais, hortícolas, frutas e leguminosas, assegura o teor de hidratos de carbono necessário para um rendimento de excelência.
Proteína vegana para atletas: o poder da proteína vegetal
Tanto os atletas de força como os praticantes de desportos de resistência apresentam necessidades proteicas ligeiramente acrescidas. A proteína, composta por cadeias de aminoácidos, desempenha um papel central no crescimento, na manutenção e na recuperação muscular e tecidular.
Os alimentos de origem vegetal contêm todos os aminoácidos essenciais?
Existem 20 aminoácidos presentes na alimentação humana. O nosso organismo consegue sintetizar doze deles por si próprio. Os restantes oito são aminoácidos essenciais que o corpo não consegue produzir, tendo obrigatoriamente de ser obtidos através da alimentação.
Uma dieta variada, assente na combinação de cereais integrais, leguminosas, sementes e hortícolas, fornece sem qualquer dificuldade a totalidade destes aminoácidos essenciais. O segredo reside na diversidade e na conjugação equilibrada de diferentes fontes de proteína vegetal ao longo do dia.
Os cereais integrais e as leguminosas constituem os pilares proteicos da nutrição vegana. Também os frutos gordos e as sementes fornecem quantidades significativas de proteína. As melhores opções de proteína vegetal para o desporto incluem:
- Feijão (feijão-preto, feijão-vermelho, feijão-frade, feijão-branco)
- Tofu e tempeh (produtos derivados de soja fermentada)
- Frutos gordos (amêndoas, cajus, nozes)
- Grão-de-bico e húmus
- Brócolos e vegetais de folha verde escura
- Quinoa (fonte vegetal com perfil completo de aminoácidos essenciais)
- Lentilhas (vermelhas, verdes, castanhas)
- Batatas (surpreendentemente ricas em aminoácidos)
- Aveia e flocos de aveia
- Sementes de cânhamo e sementes de chia
De quanta proteína necessitam diariamente os desportistas profissionais?
A quantidade diária recomendada de proteína varia de indivíduo para indivíduo, dependendo sobretudo da composição corporal e do peso. Para um adulto sedentário ou com atividade ligeira, a ingestão de referência situa-se nos 0,8 gramas por quilograma de peso corporal por dia.
No caso de atletas com elevado volume de treino, as necessidades podem situar-se entre 1,2 e 1,7 gramas de proteína por quilograma de peso corporal por dia. O organismo necessita deste aporte para reparar as microlesões e promover a síntese proteica, razão pela qual o valor se encontra aumentado no contexto desportivo.
Contudo, a proteína deve ser consumida em proporções adequadas (cerca de 10% a 15% do total calórico) sem cair em exageros desnecessários. Além disso, optar por fontes vegetais traz a vantagem adicional de fornecer fibras e hidratos de carbono complexos, elementos ausentes nas fontes de origem animal.
O foco principal deve manter-se nos hidratos de carbono complexos, permitindo que o organismo preserve a proteína para a sua função mais nobre: a construção celular e a recuperação muscular.
Comparação de rendimento: alimentação vegana vs. omnívora
A questão essencial para qualquer atleta coloca-se de forma direta: terá a alimentação de base vegetal um impacto positivo ou negativo no rendimento desportivo? A evidência científica apresenta conclusões elucidativas.
Os primeiros estudos mostram vantagens para atletas de resistência vegetarianos?
Já no início do século XX, os atletas vegetarianos foram alvo de investigação científica pioneira. Um estudo emblemático realizado em 1907 na Universidade de Yale revelou que a resistência dos indivíduos que consumiam carne era substancialmente inferior à dos atletas vegetarianos — e, surpreendentemente, até inferior à de vegetarianos sedentários.
Estes dados sugeriam que a vantagem atlética não resultava unicamente de um treino mais rigoroso, mas antes de benefícios intrínsecos aos alimentos de origem vegetal. As explicações apontadas incluíam:
- Maior densidade de antioxidantes para combater o stresse oxidativo provocado pelo exercício físico
- Propriedades anti-inflamatórias naturais de diversas plantas que aceleram a recuperação muscular
- Recuperação mais célere da força contrátil após treinos de intensidade elevada
O que revelam os ensaios clínicos aleatorizados modernos?
A investigação científica contemporânea, com recurso a metodologias mais rigorosas, traça um panorama mais detalhado. Num estudo conduzido no Texas, os participantes que seguiam uma dieta carnívola típica foram submetidos a testes de esforço máximo. Posteriormente, retiraram a carne da alimentação durante apenas quatro dias e repetiram os testes.
Os resultados mostraram que a transição alimentar trouxe melhorias estatisticamente significativas: o tempo até à exaustão aumentou cerca de 13%. Todos os cinco participantes conseguiram suportar o esforço durante mais tempo após a intervenção sem carne.
Apesar disso, o estudo apresentava uma limitação metodológica evidente: todos os sujeitos cumpriram a mesma sequência de avaliação — primeiro a dieta com carne, depois a vegetariana. Em qualquer segundo teste de esforço é comum observar-se um melhor resultado simplesmente pela familiarização com o protocolo. Adicionalmente, o ganho de rendimento poderá ter resultado do aumento dos hidratos de carbono e consequente saturação do glicogénio, e não necessariamente da simples eliminação da carne.
Existem diferenças de rendimento quando os hidratos de carbono são controlados?
Quando se comparam atletas vegetarianos e omnívoros numa prova extrema de 621 milhas (1000 km) garantindo que ambas as dietas contêm a mesma percentagem calórica de hidratos de carbono, os desempenhos revelam-se praticamente idênticos. As taxas de finalização da prova e os tempos globais registaram apenas ligeiras diferenças de poucas horas.
O mesmo padrão verifica-se no rendimento em provas de velocidade (sprint). Quando os participantes foram distribuídos aleatoriamente por grupos com alimentação vegetariana ou omnívora, não se verificaram discrepâncias significativas na potência máxima desenvolvida. Os investigadores concluíram que uma dieta vegetariana a curto prazo não acarreta desvantagens competitivas, mas também não confere vantagens milagrosas imediatas.
Qual é o comportamento observado no treino de força?
No que diz respeito ao treino de força, os resultados são igualmente consistentes. Antes e após diferentes períodos alimentares, foram avaliadas as contrações voluntárias máximas dos bíceps e quadricípites. O resultado: ausência de diferenças estatisticamente relevantes em qualquer um dos grupos.
Uma meta-análise abrangente de todos os ensaios clínicos aleatorizados sobre a performance física humana conclui: quando os atletas adotam uma alimentação de base vegetal durante períodos de dias a semanas, não se verificam diferenças percetíveis — pelo menos a curto prazo — na força muscular máxima, na potência ou na capacidade aeróbica entre uma dieta vegetal e uma dieta omnívora.
Benefícios da dieta vegana no desporto a longo prazo: O verdadeiro ganho para atletas profissionais
Embora a curto prazo não existam desvantagens no rendimento desportivo, uma alimentação de base vegetal oferece enormes benefícios de saúde a longo prazo a quem pratica exercício físico. Esta é, muito provavelmente, a maior vantagem para os atletas veganos.
Que doenças crónicas são reduzidas através da dieta vegana?
A longo prazo, a alimentação de base vegetal pode aumentar a capacidade nos desportos de resistência e proporciona benefícios consideráveis para a saúde. Embora o foco principal dos desportistas seja frequentemente a performance, os efeitos a longo prazo no organismo não devem ser subestimados.
Uma alimentação de base vegetal reduz o risco de:
- Doenças coronárias — a causa de morte número 1 a nível mundial
- Cancro da mama, cancro do cólon e cancro da próstata
- Diabetes tipo 2 e resistência à insulina
- Hipertensão arterial
- Cataratas
- Demência e Alzheimer
Estas vantagens que associam saúde, exercício e nutrição são notáveis. Se a mortalidade aumenta devido a uma alimentação inadequada, o melhor nível de condição física de nada serve. A relação entre a atividade física e a aterosclerose está bem documentada pela ciência: enquanto o desporto protege, uma dieta desequilibrada pode anular totalmente essa proteção.
O exercício físico protege contra a aterosclerose no caso de uma má alimentação?
Curiosamente, os estudos relativos a aterosclerose e atividade física revelam que nem mesmo o treino intenso consegue compensar plenamente o impacto negativo de uma dieta rica em produtos de origem animal. Atletas profissionais com um consumo elevado de carne continuam a demonstrar sinais clínicos de aterosclerose.
Pelo contrário, a combinação de uma alimentação de base vegetal com o exercício regular produz efeitos sinérgicos: ambos reduzem a inflamação sistémica, otimizam a função endotelial dos vasos sanguíneos e combatem o stress oxidativo. Para os atletas de alto rendimento, isto garante uma excelente performance no presente aliada a uma saúde de ferro no futuro.
O que comem os atletas veganos na prática? Dieta vegana no desporto
Os pilares essenciais da nutrição vegetal no contexto desportivo assentam em leguminosas, cereais integrais, fruta e legumes frescos, frutos gordos e sementes, gorduras de qualidade e uma hidratação rigorosa. Adicionalmente, a suplementação com vitamina B12 é indispensável.
Quais são os melhores cereais integrais para os desportos de resistência?
Dê preferência a pão de farinha integral, flocos de aveia, arroz integral e massas, como as de espelta integral. Os pseudocereais, nomeadamente a quinoa e o amaranto, são também excelentes alternativas. São alimentos ricos em hidratos de carbono complexos, fibra, zinco e vitaminas do complexo B, constituindo igualmente fontes relevantes de proteína vegetal.
Exemplos práticos:
- Pequeno-almoço: Flocos de aveia com banana, frutos gordos e bebida vegetal
- Antes do treino: Pão integral com manteiga de frutos secos e compota de fruta
- Após o treino: Arroz integral com tofu e legumes salteados
Que legumes devem priorizar os praticantes de desporto?
Aposte numa paleta diversificada de legumes vermelhos, cor de laranja e amarelos, sem esquecer os vegetais de folha verde. Estes fornecem vitamina C, betacaroteno e outros antioxidantes que protegem o corpo contra o stress oxidativo associado aos treinos intensos. Fornecem ainda ferro, cálcio, fibra e proteína.
Especialmente recomendados:
- Vegetais de folha verde-escura (espinafres, couve-galega, acelga) — ricos em ferro
- Brócolos — teor proteico elevado para uma fonte vegetal
- Batata-doce — hidratos de carbono complexos e betacaroteno
- Pimentos — fonte de vitamina C para exponenciar a absorção de ferro
- Beterraba — estimula o fluxo sanguíneo e a resistência muscular
Por que razão as leguminosas e a proteína vegana para atletas são essenciais?
Varie entre diferentes variedades de feijão (como feijão preto ou feijão encarnado), grão-de-bico, ervilhas e derivados de soja, designadamente tofu e tempeh. Para além de apresentarem um excelente perfil proteico, contêm uma quota expressiva de hidratos de carbono complexos, fibra, ferro, cálcio e vitaminas do complexo B, fornecendo os aminoácidos essenciais necessários ao organismo.
As leguminosas são os verdadeiros pilares proteicos no desporto. Uma chávena de lentilhas cozidas oferece cerca de 18 gramas de proteína, 40 gramas de hidratos de carbono e uma dose generosa de ferro, sendo uma combinação fantástica para a recuperação muscular e a reposição contínua de energia.
Que fruta é mais indicada para os desportistas?
Integre várias frutas frescas e sumos naturais no seu dia a dia para assegurar um aporte extra de vitaminas, sobretudo de vitamina C. A fruta disponibiliza energia de absorção rápida sob a forma de açúcares naturais.
Frutas de eleição para o rendimento desportivo:
- Bananas — energia imediata e potássio para prevenir o aparecimento de cãibras
- Tâmaras — hidratos de carbono concentrados, ideais para o pré-treino
- Frutos vermelhos — antioxidantes fundamentais para acelerar a recuperação muscular
- Laranjas — vitamina C e hidratação
- Melancia — hidratação e L-citrulina para favorecer a circulação sanguínea
A suplementação com vitamina B12 é necessária?
Sim, a vitamina B12 tem obrigatoriamente de ser obtida através de suplementação ou do consumo regular de alimentos enriquecidos, tais como bebidas vegetais. Este é o único micronutriente ausente de forma natural numa dieta exclusivamente vegetal.
Recomendação para praticantes de exercício: 2000 mcg de vitamina B12 por semana sob a forma de suplementação desportiva / suplemento vitamínico, ou produtos fortificados no quotidiano. A B12 é fulcral para o metabolismo energético, a produção de glóbulos vermelhos e a integridade neurológica — fatores determinantes para o rendimento desportivo.
Hidratação: Beber água para o máximo rendimento desportivo
Mesmo numa alimentação vegetal equilibrada, um balanço hídrico rigoroso é indispensável para atingir o topo da performance e prevenir lesões. A desidratação — definida como uma perda igual ou superior a 1% do peso corporal através do suor — acarreta diversas queixas e limitações funcionais.
O que comer após o treino numa dieta vegetal? A estratégia ideal
Após a sessão de treino, a ingestão correta de nutrientes é decisiva para a recuperação muscular e a regeneração dos tecidos. A melhor estratégia passa por associar hidratos de carbono a fontes de proteína vegetal na janela de 30 a 60 minutos após o exercício.
Refeições pós-treino recomendadas:
- Batido: banana, flocos de aveia, proteína vegetal em pó, espinafres, frutos vermelhos e bebida vegetal
- Wrap integral: húmus, abacate, legumes variados e rebentos
- Bowl energética: quinoa, feijão preto, batata-doce e molho de tahini
- Massa integral: massa de trigo integral com bolonhesa de lentilhas
Que quantidade de líquidos se deve beber?
Entre os sinais de desidratação contam-se dores de cabeça, fadiga precoce, baixa tolerância ao calor e urina escura e com cheiro intenso. Em casos mais graves, podem ocorrer cãibras térmicas, exaustão por calor e insolação. Garantir uma ingestão adequada — no mínimo dois litros de água por dia — previne estes problemas com facilidade.
As necessidades de água aumentam com a intensidade do esforço, em treinos em altitude, sob baixa humidade relativa do ar ou temperaturas elevadas. A água mineral é a bebida ideal para a reidratação, em especial em sessões com duração inferior a uma hora.
As bebidas isotónicas são necessárias nos desportos de resistência?
Para esforços contínuos que ultrapassem os 60 a 90 minutos, o recurso a bebidas isotónicas com hidratos de carbono e eletrólitos pode ser útil, tanto durante o esforço como na fase posterior. No entanto, os sais minerais e a energia também podem ser obtidos a partir de alimentos comuns.
Uma alternativa caseira e natural passa por juntar sumo de maçã com água com gás (na proporção de 1:1) — garantindo hidratos de carbono e eletrólitos de forma simples. Em alternativa, a água de coco disponibiliza potássio e minerais sem necessidade de corantes ou aditivos industriais.
Perguntas frequentes sobre nutrição e atletas veganos
Os atletas veganos conseguem ingerir proteína suficiente?
Sim, perfeitamente. Uma alimentação de base vegetal variada, rica em leguminosas, cereais integrais, frutos gordos e sementes, atinge com facilidade os 1,2 a 1,7 g de proteína por kg de peso corporal — a faixa indicada para a maioria dos desportistas. O segredo consiste em combinar diferentes origens de proteína vegetal ao longo do dia para obter todos os aminoácidos essenciais.
Existem desvantagens competitivas no rendimento desportivo?
Não. Os estudos científicos não revelam diferenças de rendimento entre praticantes omnívoros e desportistas que seguem um padrão estritamente vegetal, quer em testes de resistência aeróbica, força muscular ou sprints. A curto prazo não se verificam perdas de rendimento e, a longo prazo, registam-se claros ganhos de saúde pela redução do risco de doenças crónicas.
Quais são os nutrientes mais sensíveis no desporto?
A vitamina B12 requer suplementação obrigatória. Outros nutrientes que exigem atenção, tais como o ferro, o zinco, os ácidos gordos ómega-3 e o cálcio, são perfeitamente supridos através de opções alimentares bem estruturadas. O ferro presente nas leguminosas e nos vegetais escuros é melhor absorvido quando consumido em conjunto com alimentos ricos em vitamina C.
A alimentação vegetal serve os propósitos de atletas de força e hipertrofia?
Com certeza. Vários atletas de força de craveira internacional comprovam essa realidade. O segredo reside em assegurar um superávit ou equilíbrio calórico adequado e um fornecimento regular de proteína vegetal através de leguminosas, tofu, tempeh, seitan e sementes. A proteína vegetal é tão eficaz para o ganho e manutenção de massa muscular como a proteína animal.
A alimentação vegetal potencia a recuperação muscular?
A literatura científica sugere que sim. A elevada concentração de antioxidantes e fitoquímicos com propriedades anti-inflamatórias presentes nos alimentos de origem vegetal atenua o stress oxidativo resultante do esforço e acelera a regeneração muscular. Muitos praticantes reportam períodos de recuperação visivelmente mais curtos após a transição.
O que comer antes de uma prova de fundo?
Cerca de 3 a 4 horas antes da prova: uma refeição rica em hidratos de carbono complexos, como papas de aveia com banana ou massa integral. Entre 30 a 60 minutos antes do início: hidratos de carbono de absorção rápida e fácil digestão, como tâmaras, banana ou uma barra energética. Isto assegura que as reservas de glicogénio muscular estão no nível máximo para sustentar o esforço.
É possível transitar de imediato para uma dieta vegetal no desporto?
Sim, a mudança pode ser feita de imediato. Diversos estudos apontam para a estabilidade da performance ao fim de apenas 4 dias sem consumo de carne. Contudo, para um melhor conforto gastrointestinal, uma adaptação progressiva ao longo de 2 a 4 semanas é recomendável, permitindo que o sistema digestivo se ajuste gradualmente ao maior volume de fibra alimentar.
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