Porque é que milhões de pessoas em todo o mundo bebem diariamente milhares de milhões de chávenas de chá? Não é pela cafeína — o café tem mais. Também não é apenas pelo sabor — muitos prefeririam infusões de hortelã-pimenta ou de frutos. A razão reside numa substância única, presente quase exclusivamente na planta do chá, a Camellia sinensis: a L-teanina. Este aminoácido altera de forma mensurável as nossas ondas cerebrais, induzindo um estado de relaxamento e alerta que, de outro modo, apenas a meditação consegue alcançar. Neste artigo, analisamos os benefícios do chá verde comprovados pela ciência no cérebro, no sistema cardiovascular, no metabolismo e no controlo de peso.
A investigação científica demonstra que o chá verde pode produzir efeitos nas ondas cerebrais comparáveis a décadas de prática de meditação. Em simultâneo, reduz a pressão arterial e o colesterol, protege o coração e apoia a perda de peso. A combinação singular de L-teanina e cafeína torna o chá verde na bebida ideal para uma concentração focada sem nervosismo.
Índice
- Principais conclusões
- Chá verde e L-teanina: o aminoácido exclusivo
- O que são ondas cerebrais?
- Ondas alfa: estado de alerta relaxado
- Meditação ou chá? A comparação científica
- Benefícios do chá verde: EGCG e catequinas para a saúde cardiovascular
- Chá verde para o coração e vasos sanguíneos
- Efeitos do chá verde no emagrecimento
- Dosagem e preparação
- Segurança e efeitos secundários
- Perguntas frequentes
- Fontes científicas
Principais conclusões
- L-teanina exclusiva: A L-teanina surge de forma concentrada em apenas dois locais na natureza: na planta do chá (Camellia sinensis) e no raro cogumelo boleto-castanho. Todos os chás verdadeiros (verde, preto, oolong e branco) provêm desta mesma planta.
- Ondas alfa como na meditação: O consumo de 1 a 2 chávenas de chá (240–480 ml) gera alterações mensuráveis nas ondas cerebrais alfa através de EEG — de forma semelhante à meditação. O chá pode alcançar efeitos que, de outro modo, exigiriam 30 anos de prática meditativa.
- Quatro tipos de ondas cerebrais: O cérebro produz ondas delta (sono profundo, ~1 Hz), ondas teta (sonolência, ~5 Hz), ondas alfa (alerta relaxado) e ondas beta (atividade intensa sob stress). As ondas alfa surgem num estado de vigília descontraído e atento.
- 90 minutos vs. uma chávena: Sem qualquer estímulo auxiliar, são necessários cerca de 90 minutos de relaxamento para alcançar uma atividade significativa de ondas alfa. Uma chávena de chá acelera significativamente este processo.
- Combinação perfeita: A sinergia única entre a L-teanina (relaxamento) e a cafeína (vigília) no chá cria um estado de atenção focada — desperto e concentrado, mas calmo e sereno.
- EGCG como ingrediente ativo principal: O epigalocatequina galato (EGCG) é a catequina mais importante do chá verde. Uma chávena contém até 200 mg de EGCG com potente ação antioxidante, anti-inflamatória e protetora cardiovascular.
- Proteção cardiovascular comprovada: O chá verde reduz a pressão arterial em 2 a 3 mmHg, melhora os níveis de colesterol, dilata os vasos sanguíneos e diminui o risco de acidente vascular cerebral (AVC) em cerca de 7%. As fundações de saúde cardiovascular recomendam o seu consumo.
- Metabolismo e emagrecimento: O chá verde estimula o metabolismo, favorecendo a queima de gordura e a termogénese. Os estudos revelam um apoio moderado na perda de peso — não é um milagre, mas constitui uma ajuda relevante.
- Dosagem ideal: Recomendam-se 1 a 2 chávenas diárias para a saúde geral. Entre 3 a 4 chávenas revelam efeitos ideais para o sistema cardiovascular. Beber mais não significa necessariamente obter melhores resultados.
- Cuidado com os extratos: O chá verde como bebida é seguro. No entanto, os extratos de chá verde em cápsulas podem causar lesões hepáticas em doses excessivas (acima de 800 mg de EGCG). As associações de defesa do consumidor alertam contra suplementos de extratos altamente concentrados.
Chá verde e L-teanina: o aminoácido exclusivo
Entre as mais de 287 655 espécies vegetais conhecidas no nosso planeta, a planta do chá, Camellia sinensis, é a única que contém quantidades significativas de L-teanina. Este aminoácido é a principal razão pela qual o chá é a bebida mais consumida no mundo — à frente do café, apesar de o café conter mais cafeína.
A L-teanina foi isolada pela primeira vez na década de 1950 por investigadores japoneses a partir de folhas de chá. O nome provém de “Thea sinensis”, uma designação botânica antiga da planta do chá. Além do chá, a L-teanina apenas surge concentrada num outro organismo: o boleto-castanho, um cogumelo invulgar com poros em vez de lamelas. Dado que este cogumelo não é propriamente comum à mesa, nunca se tornou popular como fonte de teanina.
O que faz a L-teanina no cérebro? Este aminoácido atravessa a barreira hematoencefálica e influencia a atividade dos neurotransmissores. Aumenta os níveis de GABA (ácido gama-aminobutírico), serotonina e dopamina — mensageiros químicos associados ao relaxamento, à melhoria do humor e ao foco.
O efeito mensurável manifesta-se nas ondas cerebrais: a L-teanina intensifica a atividade das ondas alfa no cérebro. Esta ação surge logo 30 a 40 minutos após a ingestão de uma chávena de chá e prolonga-se por várias horas. A grande particularidade: ao contrário dos sedativos convencionais, a L-teanina não causa sonolência nem apatia, mas antes um estado de alerta perfeitamente relaxado.
O que são ondas cerebrais?
O nosso cérebro apresenta uma constante atividade elétrica. Milhares de milhões de neurónios comunicam continuamente entre si através de impulsos elétricos. Esta atividade pode ser registada através de um eletroencefalograma (EEG), no qual elétrodos posicionados no couro cabeludo gravam as oscilações de voltagem elétrica.
A atividade cerebral exibe padrões rítmicos organizados em diferentes faixas de frequência:
Ondas delta (0,5–4 Hz)
São as ondas cerebrais mais lentas, com cerca de uma oscilação por segundo. Dominam durante o sono profundo, quando a consciência está completamente desativada. Em adultos acordados, as ondas delta raramente surgem, exceto na presença de lesões cerebrais graves.
Ondas teta (4–8 Hz)
Com cerca de 5 ciclos por segundo, as ondas teta são ligeiramente mais rápidas do que as delta. Manifestam-se em estados de sonolência, no adormecer ou nas fases iniciais do sono. Surgem igualmente durante os sonhos e em fases de meditação profunda.
Ondas alfa (8–13 Hz)
Representam a primeira forma de atividade cerebral em estado de vigília. As ondas alfa desenvolvem-se quando nos encontramos relaxados mas atentos — por exemplo, de olhos fechados durante a meditação. Assinalam um estado mental calmo e lúcido: relaxado, consciente e com boa capacidade de concentração.
Ondas beta (13–30 Hz)
As mais rápidas das quatro bandas de frequência principais. As ondas beta prevalecem durante a concentração ativa, na resolução de problemas e sob stress. É neste estado que a maioria das pessoas passa grande parte do dia: em alerta constante, sob pressão e num ritmo acelerado.
O estilo de vida moderno mantém-nos cronicamente presos à dominância das ondas beta. O excesso de estímulos com ecrãs, ruído e stress impede o cérebro de transitar para o estado mais calmo das ondas alfa. As consequências traduzem-se em inquietação interior, falta de concentração e fadiga mental.
Ondas alfa: estado de alerta relaxado
As ondas alfa traduzem o estado mental ideal: perfeitamente acordado e vigilante, mas em simultâneo sereno e tranquilo. Neste estado, o cérebro trabalha com elevada eficiência, sem o bloqueio causado pela ansiedade ou pelo stress.
Como se atinge habitualmente a dominância alfa? O método clássico consiste em repousar num ambiente calmo. Os estudos indicam que, após cerca de 90 minutos num espaço tranquilo, se torna visível uma atividade alfa significativa no EEG — identificada por áreas amarelas e vermelhas na análise de frequências.
Os monges budistas com décadas de prática de meditação conseguem alcançar este estado com muito maior rapidez. Conseguem inclusive sustentar a atividade de ondas alfa com os olhos abertos — uma capacidade invulgar, visto que a estimulação visual tende a despoletar ondas beta. Quanto mais profunda for a meditação, mais intensas se revelam as ondas alfa.
Para a maioria das pessoas sem experiência em meditação, atingir a dominância alfa é um processo complexo. Desfrutar de 90 minutos de relaxamento na rotina diária é pouco viável. Dedicar 30 anos ao treino meditativo como os monges ainda menos. É aqui que entram os benefícios do chá verde.
Em ensaios clínicos controlados, os participantes consumiram água (grupo de controlo) ou a dose de L-teanina equivalente a 1 a 2 chávenas de chá (240–480 ml). O resultado foi claro: o grupo do chá apresentou um aumento evidente na atividade de ondas alfa no EEG, ao passo que o grupo da água não registou alterações.
Esta é a razão pela qual tantas pessoas em todo o mundo apreciam o chá da planta Camellia sinensis. A L-teanina faculta um atalho seguro para a dominância das ondas alfa — sem anos de treino de meditação, bastando uma simples chávena de chá.
Meditação ou chá? A comparação científica
A pergunta pode parecer provocatória: “Meditar durante 30 anos ou simplesmente beber chá?” Na realidade, os registos de EEG evidenciam semelhanças notáveis entre os padrões de ondas cerebrais obtidos na meditação e após o consumo de chá.
A meditação é uma prática milenar com benefícios comprovados para a saúde. A sua realização regular reduz o stress, diminui a pressão arterial, melhora a concentração e estimula o equilíbrio emocional. O mecanismo neurobiológico assenta na transição da atividade cerebral de beta (stress) para alfa (relaxamento) e, por vezes, até para teta (repouso profundo).
Quem se inicia na meditação precisa de anos para dominar a técnica. Mesmo os praticantes experientes necessitam de 10 a 20 minutos para aceder a estados alfa profundos. Por sua vez, monges budistas com dezenas de milhares de horas de prática demonstram uma atividade alfa extraordinariamente elevada, mesmo de olhos abertos durante as atividades diárias.
O chá verde não substitui integralmente a meditação. Os profundos ganhos psicológicos e de autoconhecimento decorrentes de anos de meditação não cabem numa chávena de chá. Contudo, os efeitos neurofisiológicos nas ondas cerebrais são mensuravelmente equiparáveis.
A melhor abordagem passa por conjugar ambos os métodos: o chá facilita o acesso a estados meditativos e torna a dominância de ondas alfa mais acessível no dia a dia. Paralelamente, a meditação regular reforça a aptidão natural do cérebro para alternar entre diferentes faixas de frequência.
Importa ainda sublinhar que a L-teanina atua em harmonia com as práticas de atenção plena (mindfulness). Quem bebe chá antes de meditar refere frequentemente uma maior facilidade em atingir uma concentração tranquila. Com o cérebro já predisposto para as frequências alfa, torna-se muito mais natural libertar pensamentos dispersos.
Benefícios do chá verde: EGCG e catequinas para a saúde cardiovascular
A par da L-teanina, o chá verde contém um segundo grupo de substâncias com propriedades extraordinárias para a saúde: as catequinas. Estes compostos vegetais secundários pertencentes à família dos flavonoides são os grandes responsáveis pela maioria dos benefícios do chá verde na saúde cardiovascular e no metabolismo.
A catequina predominante no chá verde é o EGCG (epigalocatequina galato). Uma chávena de chá verde contém entre 50 e 200 mg de EGCG, variando consoante a variedade, o cultivo e a preparação. Chás japoneses de qualidade superior, como o sencha e o matcha, são particularmente ricos em EGCG.
O EGCG é um antioxidante muito potente, cuja capacidade ultrapassa largamente a das vitaminas C e E. Os antioxidantes têm como função neutralizar os radicais livres — moléculas reativas de oxigénio que aceleram a degradação celular, a inflamação e os processos de envelhecimento.
Os mecanismos de atuação do EGCG são abrangentes:
Proteção vascular: O EGCG melhora a função endotelial — o revestimento interior dos vasos sanguíneos. Estimula a síntese de óxido nítrico (NO), uma molécula que induz a vasodilatação e melhora o fluxo sanguíneo. Consequentemente, a pressão arterial reduz-se e a circulação sanguínea nos órgãos é otimizada.
Ação anti-inflamatória: A inflamação crónica assume um papel central em patologias cardíacas, diabetes e outras doenças associadas ao estilo de vida atual. O EGCG inibe vias de sinalização pró-inflamatórias e diminui marcadores como a PCR (proteína C-reativa) e a interleucina-6.
Controlo do colesterol: O EGCG contribui para reduzir o colesterol LDL (o colesterol “mau”) e tende a elevar o colesterol HDL (o “bom”). Adicionalmente, previne a oxidação das partículas de LDL — um passo determinante no desenvolvimento da aterosclerose.
Regulação da glicémia: As catequinas aumentam a sensibilidade à insulina e ajudam a suavizar os picos de glicemia após as refeições. Esta ação diminui o risco de diabetes e apoia a gestão do peso corporal.
Benefícios do chá verde para o coração e vasos sanguíneos
As diretrizes de saúde cardiovascular recomendam expressamente o consumo de chá verde para promover a saúde do coração. Esta recomendação fundamenta-se em décadas de investigação epidemiológica e ensaios clínicos que comprovam de forma consistente os seus efeitos positivos.
Grandes estudos populacionais realizados no Japão e na China — países onde o chá verde faz parte da tradição diária — revelam que as pessoas que bebem 3 a 4 chávenas de chá verde por dia apresentam um risco consideravelmente menor de desenvolver doenças cardiovasculares. O risco de acidente vascular cerebral (AVC) diminui cerca de 7 por cento por cada chávena adicional, e o risco de enfarte do miocárdio reduz-se em 5 por cento.
Redução da pressão arterial: Várias meta-análises demonstram que o consumo regular de chá verde reduz a pressão arterial sistólica em média 2 a 3 mmHg e a diastólica em 1 a 2 mmHg. Embora pareça uma redução modesta, a nível populacional uma descida de apenas 2 mmHg é suficiente para evitar milhares de AVCs e enfartes todos os anos.
Prevenção da aterosclerose: O chá verde retarda a formação de placas de ateroma nas artérias. As catequinas e outros antioxidantes presentes na bebida impedem a oxidação do colesterol LDL e atenuam as reações inflamatórias na parede vascular — dois processos determinantes na progressão da aterosclerose.
Dose ideal: Para otimizar a saúde cardiovascular, o consumo de 3 a 4 chávenas por dia oferece os melhores resultados comprovados. Doses superiores não conferem proteção acrescida e podem desencadear efeitos adversos devido ao teor de cafeína em pessoas mais sensíveis.
Importante: os benefícios do chá verde não substituem o tratamento médico em patologias cardíacas já diagnosticadas. Em quadros de hipertensão, níveis elevados de colesterol ou outros fatores de risco, o acompanhamento clínico e a adoção de um estilo de vida saudável (alimentação equilibrada, exercício físico e cessação tabágica) são indispensáveis. O chá verde funciona como um excelente complemento, mas nunca como terapêutica isolada.
Benefícios do chá verde no emagrecimento e metabolismo
O chá verde é muitas vezes promovido como uma solução milagrosa para perder peso. A realidade científica exige maior rigor: o chá verde pode de facto apoiar o processo de emagrecimento, mas os seus efeitos são moderados e só se manifestam quando associados a um défice calórico sustentado e à prática de atividade física.
Estimulação do metabolismo: A epigalocatequina galato (EGCG) e a cafeína atuam de forma sinérgica no organismo, estimulando o metabolismo. Estudos clínicos apontam para um aumento do gasto energético diário na ordem dos 3 a 4 por cento — o que equivale a queimar cerca de 60 a 80 calorias adicionais por dia. Ao longo de semanas e meses, este gasto cumulativo faz uma diferença mensurável.
Oxidação e queima de gordura: O chá verde estimula a oxidação dos ácidos gordos, incentivando o corpo a mobilizar as reservas lipídicas como fonte de energia primária. Esta ação é especialmente notória durante a prática desportiva: quem consome chá verde antes do treino consegue queimar até 17 por cento mais gordura durante a sessão de esforço.
Termogénese: As catequinas aumentam a produção de calor corporal através da termogénese. Este mecanismo fisiológico consome energia e contribui diretamente para a elevação da taxa metabólica basal.
Controlo do apetite: Existem relatos de que o chá verde atenua a compulsão alimentar e os picos de fome ao longo do dia. A evidência científica nesta área ainda é mista, tratando-se muito provavelmente de uma resposta individual.
Expectativas realistas: Em ensaios clínicos controlados com duração de 12 semanas, os participantes que consumiram chá verde perderam, em média, mais 1 a 2 kg do que o grupo de controlo. Trata-se de um resultado estatisticamente significativo, mas longe de ser dramático. O chá verde deve ser encarado como um aliado na perda de peso, e não como uma cura mágica.
O equilíbrio energético continua a ser o pilar essencial: sem reeducação alimentar e exercício físico regular, o chá verde isolado não produzirá emagrecimento visível. Integrado numa estratégia de estilo de vida consciente, ajuda a acelerar e a facilitar todo o processo.
Extratos de chá verde para emagrecer: Tenha muita cautela com suplementos e cápsulas altamente concentradas. Enquanto a bebida em si é totalmente segura, extratos com doses superiores a 800 mg de epigalocatequina galato podem provocar lesões graves no fígado. As autoridades de saúde e as associações de defesa do consumidor desaconselham vivamente este tipo de suplementação de alta dosagem. O chá verde natural em infusão continua a ser a escolha mais segura e eficaz.
Chá verde: como tomar, dosagem e preparação
Dose diária recomendada: Beber 1 a 2 chávenas por dia constitui uma base sólida para usufruir das suas propriedades protetoras. Para alcançar os benefícios máximos a nível cardiovascular, o consumo de 3 a 4 chávenas apresenta os dados mais consistentes. Ultrapassar as 5 chávenas diárias não traz mais-valias e pode fornecer cafeína em excesso a organismos mais sensíveis.
Preparação correta: O modo como prepara a infusão influencia drasticamente a extração de l-teanina e de epigalocatequina galato.
- Temperatura da água: O intervalo térmico ideal situa-se entre os 70 e os 80 °C. A água a ferver (100 °C) destrói as catequinas mais sensíveis e torna a infusão demasiado amarga. Deixe a água arrefecer cerca de 5 a 10 minutos após a fervura antes de a verter sobre as folhas.
- Tempo de infusão: Deixe repousar durante 2 a 3 minutos para obter um sabor suave e uma extração equilibrada de cafeína. Um tempo de 5 minutos extrai o nível máximo de catequinas, embora confira maior adstringência e amargor ao chá.
- Qualidade da folha: O chá em folha solta é manifestamente superior às saquetas industriais. Variedades japonesas como Sencha, Gyokuro ou Matcha concentram quantidades excecionais de EGCG e l-teanina, potencializando a sinergia única do chá verde l-teanina.
- Origem biológica: A planta Camellia sinensis é frequentemente tratada com pesticidas em plantações intensivas. Optar por chá verde de produção biológica certificada previne a ingestão de resíduos químicos indesejados.
Horário de consumo: Tomar chá verde de manhã ou a meio da manhã é a altura ideal para potenciar a concentração e o rendimento mental. Como o efeito estimulante da cafeína se prolonga por 4 a 6 horas, consumir chá verde à noite pode comprometer a qualidade do sono. Se tiver sensibilidade a estimulantes, tome a última chávena o mais tardar ao início da tarde.
Com ou sem leite? As proteínas do leite ligam-se às catequinas e diminuem a sua absorção no trato digestivo. Se bebe chá verde com o intuito de maximizar os benefícios para a saúde, evite adicionar leite. Já a adição de algumas gotas de sumo de limão é muito vantajosa, uma vez que a vitamina C melhora substancialmente a biodisponibilidade da EGCG.
Segurança e contraindicações: chá verde benefícios e malefícios
O chá verde consumido sob a forma de infusão tradicional apresenta um perfil de segurança excecional dentro das doses habituais. Milénios de consumo no continente asiático e dezenas de anos de estudos científicos não demonstram riscos significativos num consumo moderado (entre 1 e 5 chávenas por dia).
Sensibilidade à cafeína: Cada chávena de chá verde contém cerca de 30 a 50 mg de cafeína — sensivelmente metade da quantidade presente numa chávena de café. Pessoas particularmente sensíveis ou que consumam doses exageradas podem experienciar agitação, taquicardia, insónia ou ligeiro desconforto gástrico.
Absorção de ferro: As catequinas ligam-se ao ferro de origem vegetal (ferro não-hémico), inibindo a sua absorção intestinal. Indivíduos diagnosticados com anemia ferropénica ou carência de ferro devem evitar tomar chá verde logo a seguir às refeições principais, aguardando um intervalo de 1 a 2 horas.
Gravidez e aleitamento: Durante a gestação, recomenda-se limitar a ingestão total de cafeína a um teto máximo de 200 mg por dia. O consumo de 1 a 2 chávenas de chá verde é considerado seguro, mas quantidades elevadas podem interferir com os níveis de ácido fólico e influenciar o peso do bebé à nascença.
Interações medicamentosas: O chá verde pode interagir com fármacos anticoagulantes (como a varfarina), medicamentos anti-hipertensores e certos tipos de antibióticos. Se faz medicação crónica, deve consultar o seu médico assistente ou farmacêutico antes de introduzir consumos regulares elevados.
Cápsulas e extratos concentrados — atenção redobrada: Embora a infusão natural seja inofensiva, os suplementos de EGCG em doses maciças apresentam risco de toxicidade hepática. As autoridades europeias de segurança alimentar e entidades médicas alertam expressamente contra doses iguais ou superiores a 800 mg de EGCG em extrato. Encontram-se documentados vários episódios de lesão hepática severa causados por estes suplementos. A infusão preparada a partir da planta Camellia sinensis é incomparavelmente mais segura — mesmo bebendo 5 chávenas diárias, a quantidade de EGCG fica muito abaixo dos níveis perigosos encontrados em certas cápsulas.
Perguntas frequentes
Quais são os efeitos e benefícios do chá verde?
O chá verde estimula a atividade das ondas alfa cerebrais graças à presença de l-teanina, induzindo um estado de relaxamento com total clareza mental. As catequinas antioxidantes (como a epigalocatequina galato) auxiliam na redução da pressão arterial (2 a 3 mmHg) e do colesterol, fortalecem a saúde cardiovascular e estimulam a queima de gordura. O consumo habitual de 3 a 4 chávenas diárias diminui o risco de AVC em cerca de 7% e o risco de enfarte em 5%.
Como atua o chá verde no organismo?
O chá verde atua a nível cognitivo (promovendo ondas alfa e concentração), cardiovascular (reduzindo a pressão arterial e protegendo os vasos sanguíneos), metabólico (aumentando o metabolismo em 3 a 4% e a oxidação lipídica) e antioxidante (ação da EGCG). A combinação entre cafeína e l-teanina proporciona foco sustentado sem provocar a agitação ou o nervosismo típicos de outros estimulantes.
O chá verde ajuda a emagrecer?
O chá verde eleva o gasto calórico em 3 a 4% (cerca de 60 a 80 kcal por dia) e aumenta a queima de gordura durante o exercício (+17%). Em estudos clínicos de 12 semanas, os voluntários que tomaram chá verde perderam mais 1 a 2 kg comparativamente ao grupo de controlo. Contudo, estes resultados só são possíveis como complemento a uma alimentação com défice calórico e à prática de exercício regular.
Fontes científicas
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Fontes sobre o tema
Artigos de revisão, meta-análises e ensaios clínicos controlados sobre o tema deste artigo. Todas as ligações foram verificadas a 16.08.2026 quanto à sua acessibilidade.
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