Os legumes com mais vitamina C são fundamentais para um sistema imunitário forte e uma saúde de excelência. Embora muitas pessoas recorram a suplementos alimentares, a investigação científica é inequívoca: o organismo absorve a vitamina C de fontes naturais com muito maior eficácia do que a partir de comprimidos. Ao escolher os hortícolas certos, consegue atingir facilmente a dose recomendada de 200 mg diários — sem necessidade de recorrer a suplementação artificial. Neste artigo, descubra quais são os legumes ricos em vitamina C que deve incluir na sua alimentação e de que forma uma confeção adequada permite preservar o teor máximo de nutrientes.
Índice
- Pontos principais
- Por que razão exatamente 200 mg diários de vitamina C são a dose ideal
- Os 15 legumes com mais vitamina C
- Couves: as campeãs secretas da vitamina C
- Preparação correta: como preservar a vitamina C
- Hortícolas vs. comprimidos de vitamina C: a diferença determinante
- Como atingir 200 mg diários sem suplementos
- Fontes científicas
Pontos principais
- A urtiga é a campeã indiscutível: com 333 mg de vitamina C por 100 g, a urtiga contém mais de seis vezes a quantidade encontrada na laranja ou no limão.
- A família das couves domina a lista dos 15 melhores: 7 das 15 variedades com maior teor de ácido ascórbico pertencem às crucíferas — a couve-de-bruxelas e a couve-galega lideram com 110 mg por 100 g cada.
- 200 mg por dia é a quantidade ideal: o organismo consegue absorver a 100% até 200 mg de vitamina C natural por dia — tudo o que exceda este valor é maioritariamente eliminado pelo organismo.
- O consumo em cru preserva a vitamina C: sendo este nutriente sensível ao calor, os legumes ricos em vitamina C devem ser consumidos preferencialmente crus ou apenas ligeiramente escaldados.
- Os alimentos superam os suplementos: estudos comprovam que a vitamina C proveniente de fontes alimentares naturais reduz o risco de AVC, ao passo que os comprimidos isolados não demonstraram qualquer efeito protetor comprovado.
- 5 porções são suficientes: ao ingerir 5 porções de fruta e hortícolas por dia (cerca de 50 mg de vitamina C cada), atinge com facilidade os níveis ideais na corrente sanguínea.
- Hortícolas de inverno como reforço imunitário: a couve-galega, a couve-de-bruxelas e o rábano-picante não são apenas ricos em vitamina C, mas contêm igualmente glucosinolatos com propriedades antimicrobianas que apoiam o organismo em alturas de infeção.
- Sinergia de nutrientes: consumir legumes com vitamina C fornece em simultâneo minerais, ácido fólico e fitoquímicos com ação antioxidante — uma matriz nutricional completa que as vitaminas isoladas não conseguem replicar.
Por que razão exatamente 200 mg diários de vitamina C são a dose ideal
Como foi determinada a dose ideal de vitamina C?
A dose diária recomendada (DDR) para a vitamina C, estabelecida por entidades de saúde como a Direção-Geral da Saúde (DGS), baseou-se historicamente na prevenção do escorbuto, acrescida de uma margem de segurança. Contudo, a quantidade mínima necessária para evitar sintomas de carência nutricional não corresponde necessariamente à dose ótima para promover uma saúde plena. Por essa razão, a comunidade científica adotou uma abordagem mais rigorosa: analisar as reais necessidades fisiológicas do corpo humano.
Através de estudos sistemáticos sobre a absorção e excreção deste nutriente, os investigadores identificaram um mecanismo fascinante: ao ingerir 15 mg de vitamina C natural — aproximadamente o equivalente a um quarto de laranja —, o organismo absorve perto de 90% dessa quantidade. Em contrapartida, perante uma dose de 1.250 mg proveniente de um suplemento, a taxa de absorção desce drasticamente para menos de 50%. O intestino reconhece o excesso e bloqueia ativamente uma absorção adicional através da mucosa intestinal.
O que acontece no organismo com 200 mg de vitamina C por dia?
O patamar ideal situa-se por volta dos 200 mg diários. Até este limiar, o corpo assimila a vitamina C quase na totalidade. Acima dos 200 mg, os mecanismos de transporte celular no intestino começam a limitar a passagem para a circulação. Simultaneamente, os rins procedem à reabsorção necessária para manter os níveis plasmáticos estáveis entre 70 e 80 micromoles por litro — precisamente o nível de saturação ótimo.
Mesmo que tome dez vezes essa dosagem através de suplementos — ou seja, 2.000 mg diários —, o organismo elimina o excedente através da urina e das fezes de forma a manter os parâmetros sanguíneos dentro deste intervalo restrito. Estes mecanismos evolutivos de regulação comprovam de forma clara que o corpo humano está biologicamente adaptado para metabolizar cerca de 200 mg diários.
Qual é o papel da vitamina C na prevenção do AVC?
A recomendação dos 200 mg é corroborada de forma expressiva por dados epidemiológicos. Metanálises de estudos prospetivos revelam que o risco de acidente vascular cerebral (AVC) é significativamente menor em indivíduos com um consumo diário de vitamina C a rondar os 200 mg. De forma reveladora, este benefício protetor aplica-se exclusivamente à vitamina C obtida através da alimentação — e não por via de suplementos.
Enquanto a ingestão habitual de legumes ricos em vitamina C protege de forma comprovada contra o enfarte do miocárdio e o AVC, os suplementos com antioxidantes não demonstraram benefícios idênticos em ensaios clínicos controlados. Tal facto reforça a superioridade das matrizes alimentares completas em comparação com vitaminas sintetizadas e isoladas.
Os 15 legumes com mais vitamina C
Quais são os alimentos mais ricos em vitamina C?
1. Urtiga (333 mg/100 g): A grande revelação no grupo dos hortícolas autóctones. Muitas vezes desvalorizada como erva daninha, a urtiga (Urtica) é um verdadeiro superalimento. Com 333 mg de vitamina C por 100 g, ultrapassa em mais de seis vezes o teor de laranjas e limões. Além disso, fornece quantidades elevadas de magnésio, cálcio e vitamina A. As folhas jovens cozinhadas têm um sabor semelhante ao dos espinafres e podem ser integradas em sopas, esparregados, pestos ou infusões.
2. Salsa (160 mg/100 g): Esta erva aromática indispensável na culinária portuguesa é muito mais do que um simples elemento decorativo. A salsa (Petroselinum crispum) alia o seu aroma característico a uma densidade notável de micronutrientes. Como é habitualmente consumida fresca e crua, preserva integralmente o seu teor vitamínico. Adicionar uma colher de sopa generosa de salsa picada a saladas, sopas ou pratos principais contribui significativamente para o aporte diário necessário.
3. Alho-ursino (150 mg/100 g): Esta planta aromática primaveril (Allium ursinum), também conhecida como alho-selvagem, destaca-se pelo seu valor nutricional. Com 150 mg por 100 g, constitui uma excelente fonte vegetal de ácido ascórbico. Caso faça a sua colheita na natureza, é essencial ter precaução devido à semelhança foliar com plantas tóxicas como o lírio-do-vale, devendo confirmar sempre o cheiro característico a alho.
4. Pimento (140 mg/100 g): Um dos grandes clássicos quando se procuram legumes com vitamina C. O pimento (Capsicum) pode atingir até 140 mg por 100 g, variando consoante a sua maturação: o pimento vermelho maduro apresenta um teor consideravelmente superior ao do pimento verde. Seja cru em saladas, como snack ou salteado ligeiramente, é um ingrediente versátil de sabor adocicado.
5. Rábano-picante (114 mg/100 g): Esta raiz picante (Armoracia rusticana) oferece 114 mg por 100 g. O seu grande valor reside também na presença de óleos de mostarda com ação antimicrobiana, que auxiliam o sistema imunitário em episódios de infeções respiratórias ligeiras. Ralado fresco, acompanha com mestria pratos de peixe, carne ou pastas para barrar.
Quais são as couves mais ricas em vitamina C?
6. Couve-de-bruxelas (110 mg/100 g): No topo da classificação da família das couves surge a couve-de-bruxelas (Brassica oleracea var. gemmifera). Com 110 mg por 100 g, atua como um potente dinamizador das defesas naturais. Fornece ainda ácido fólico, indispensável para a divisão celular e formação do sangue, além de compostos fitoquímicos benéficos.
7. Couve-galega (110 mg/100 g): Elemento central da gastronomia tradicional e indispensável no caldo verde, a couve-galega e as variedades de folha frisada (Brassica oleracea var. sabellica) partilham os mesmos impressionantes 110 mg por 100 g. É uma escolha de excelência para os meses mais frios, destacando-se ainda pelo teor proteico vegetal e por ser uma excelente fonte de potássio, magnésio e ferro, cuja absorção de ferro não-heme é potenciada pela própria vitamina C presente.
8. Brócolos (95 mg/100 g): Os brócolos (Brassica oleracea var. italica) estão entre os vegetais mais recomendados para uma alimentação protetora. Com 95 mg em cru por 100 g, carotenoides, vitaminas do complexo B, cálcio e fósforo, constituem um autêntico concentrado nutricional. Cozinhados brevemente a vapor ou escaldados, mantêm o tom verde vivo e a integridade da maioria dos seus micronutrientes.
10. Couve-flor (69 mg/100 g): A couve-flor (Brassica oleracea var. botrytis) apresenta 69 mg por 100 g e é rica em vitaminas do complexo B e sais minerais. O seu perfil de sabor suave torna-a adaptável a inúmeros preparados, desde purés e bases de sopa a alternativas como arroz de couve-flor ou fatias assadas no forno.
11. Couve-rábano (62 mg/100 g): Este bolbo crocante (Brassica oleracea var. gongylodes) é muito apreciado cru e disponibiliza 62 mg por 100 g. Cortado em palitos para petiscar entre refeições ou ralado em saladas frescas, fornece vitamina C, potássio, cálcio e magnésio de forma prática.
13. Couve-roxa (57 mg/100 g): A couve-roxa (Brassica oleracea convar. capitata var. rubra) junta cor e proteção antioxidante à mesa. Com 57 mg por 100 g, vitamina E e uma elevada concentração de antocianinas — pigmentos com forte ação anti-inflamatória —, revela-se um excelente legume de outono e inverno.
15. Couve-lombarda (50 mg/100 g): A couve-lombarda (Brassica oleracea convar. capitata var. sabauda) encerra a lista das crucíferas com 50 mg por 100 g. Distingue-se por ter o dobro da proteína da couve-roxa, além de um bom teor de ferro e fósforo, sendo uma opção nutritiva e saborosa para estufados e sopas.
Que outros legumes constituem boas fontes de vitamina C?
9. Funcho (93 mg/100 g): O bolbo de funcho (Foeniculum vulgare) é reconhecido pelas suas propriedades digestivas decorrentes dos óleos essenciais que encerra. Com 93 mg de vitamina C por 100 g, reforça ativamente as defesas do organismo. As suas notas anisadas e frescas enriquecem saladas cruas, assados e salteados de legumes.
12. Rúcula (62 mg/100 g): A rúcula (Eruca sativa) contém 62 mg por 100 g e sobressai em saladas e pratos frios. Os glucosinolatos conferem-lhe o sabor picante característico e, à semelhança do rábano, conferem apoio ao sistema imunitário durante os meses de inverno.
14. Espinafres (50 mg/100 g): Ao contrário do mito popular, os espinafres (Spinacia oleracea) não apresentam teores extraordinários de ferro, mas destacam-se pelos cerca de 50 mg de vitamina C por 100 g quando consumidos em cru. Seja em folha tenra para saladas ou ligeiramente salteados como acompanhamento, são aliados valiosos da saúde imunitária.
Couves: os legumes com mais vitamina C que surpreendem
Porque contêm as couves tanta vitamina C?
Um dado marcante na análise dos 15 principais vegetais é o facto de quase metade — 7 em cada 15 variedades — pertencer à família das couves. Esta predominância não acontece por acaso. As espécies do género Brassica oleracea desenvolveram, ao longo da sua evolução, a capacidade de sintetizar elevadas concentrações de vitamina C e outros fitoquímicos protetores para a sua própria defesa biológica.
Além das vitaminas, as couves concentram glucosinolatos — compostos sulfurados que, ao serem mastigados ou cortados, se transformam em isotiocianatos com ação antimicrobiana e potencial protetor celular. A sinergia entre ácido ascórbico, ácido fólico, minerais e antioxidantes transforma as brássicas em alimentos de elevadíssima densidade nutricional.
Que couves são mais indicadas para a época de inverno?
É precisamente no inverno, quando as constipações e afeções respiratórias são mais frequentes, que as couves revelam todo o seu potencial protetor. A couve-galega e a couve-de-bruxelas — ambas com 110 mg por 100 g — são hortícolas sazonais de inverno por excelência, ficando disponíveis exatamente na altura em que as defesas do organismo requerem maior suporte.
Tradicionalmente, a colheita destas folhas decorre após as primeiras geadas, uma vez que o frio induz a conversão dos amidos em açúcares simples, tornando o paladar mais suave e agradável. Ambas as opções conservam-se perfeitamente durante semanas, garantindo refeições reconfortantes e nutritivas ao longo de toda a estação.
Como cozinhar as couves preservando as vitaminas?
Sendo a vitamina C hidrossolúvel e termolábil (sensível a temperaturas elevadas), o método de preparação faz toda a diferença. Algumas variedades, como a couve-rábano ou a couve-roxa fatiada finamente, prestam-se perfeitamente ao consumo em cru. Para a couve-de-bruxelas, a couve-galega e os brócolos, a melhor opção passa por uma rápida passagem por água a ferver ou pela cozedura a vapor em lume brando.
Evite cozer as couves em grandes quantidades de água por períodos prolongados, método que pode dissolver e destruir mais de 50% do seu teor vitamínico. Prefira cozinhar os legumes sobre vapor ou estufá-los com uma quantidade mínima de líquido num tacho tapado. Desta forma, preserva não apenas o valor nutricional, mas também a cor viva, a textura crocante e o sabor autêntico dos alimentos.
Como preparar os legumes com mais vitamina C para preservar os nutrientes
Por que razão os legumes com vitamina C devem ser consumidos crus?
A vitamina C (ácido ascórbico) é extremamente sensível ao calor, à luz e ao oxigénio. Começa a degradar-se logo a temperaturas superiores a 60 °C. Ao cozer em água, podem perder-se entre 30% e 70% do teor original de vitamina C, dependendo da duração e da temperatura. Por essa razão, a regra de ouro é clara: sempre que possível, consuma estes hortícolas ricos em vitaminas no seu estado cru.
Entre os legumes com mais vitamina C ideais para consumir em cru destacam-se o pimento vermelho, a couve-rábano, a rúcula, a salsa e o alho-dos-ursos. A couve-roxa finamente ripada ou ralada em saladas é também uma excelente opção. Até mesmo os brócolos e a couve-flor podem ser consumidos crus e cortados em fatias finas — o que não só preserva o teor vitamínico, como proporciona uma textura e um sabor surpreendentes.
Como escaldar ou branquear os legumes corretamente?
Se preferir não comer os legumes ricos em vitamina C em cru, escaldar ligeiramente (ou branquear) é a melhor alternativa. Ao branquear, os hortícolas são mergulhados brevemente — geralmente durante 1 a 3 minutos — em água a ferver e arrefecidos de imediato em água com gelo. Este choque térmico interrompe os processos enzimáticos, preserva a cor viva e retém significativamente mais vitaminas do que uma cozedura prolongada.
A perda de vitamina C ao branquear é de apenas 10% a 30%, em comparação com os 50% a 70% verificados na cozedura tradicional. Certifique-se de que utiliza o mínimo de água possível e mantém o tempo de confeção o mais curto que conseguir. Os legumes devem manter-se estaladiços — o que é mais saudável e torna a refeição muito mais apetecível.
Quais são os métodos de confeção que melhor preservam as vitaminas?
A seguir ao consumo em cru, os métodos de preparação que melhor protegem os nutrientes são:
- Cozedura a vapor: Os legumes cozinham sobre a água a ferver e não dentro dela. Perda de vitaminas de apenas 15% a 25%.
- Estufar ou saltear em lume brando: Cozinhar com uma quantidade mínima de líquido num recipiente tapado. Perda vitamínica de 20% a 30%.
- Branquear / escaldar: Rápida imersão em água a ferver com arrefecimento imediato em água gelada. Perda vitamínica de 10% a 30%.
- Micro-ondas: Surpreendentemente eficaz na preservação vitamínica em tempos de confeção curtos. Perda vitamínica de 15% a 30%.
Pelo contrário, evite ferver os alimentos em muita água por períodos prolongados, mantê-los quentes durante muito tempo ou reaquecê-los várias vezes. O ideal é preparar os legumes ricos em vitamina C no momento e consumi-los pouco depois.
Os legumes congelados perdem vitamina C?
Os legumes ultracongelados têm frequentemente mais vitaminas do que os legumes frescos armazenados há vários dias. Os hortícolas destinados à congelação são ultracongelados imediatamente após a colheita, «trancando» o teor de nutrientes intacto. Quando conservada adequadamente a -18 °C, a vitamina C mantém-se estável durante meses.
Em comparação, os legumes frescos perdem vitaminas continuamente devido à exposição ao ar, à luz e ao tempo de armazenamento. Após 3 a 7 dias no frigorífico, já podem ter desaparecido entre 30% e 50% do teor original de vitamina C. Por conseguinte, se não tiver oportunidade de comprar hortícolas frescos com frequência, os legumes congelados são uma excelente alternativa rica em vitamina C natural.
Legumes vs. suplementos de vitamina C: a diferença decisiva
Por que razão os suplementos são menos eficazes do que a vitamina C natural dos legumes?
A evidência científica é inequívoca: a vitamina C proveniente de legumes e fruta reduz comprovadamente o risco de doenças cardiovasculares, fortalece o sistema imunitário e favorece a absorção de ferro, enquanto os suplementos de vitamina C não revelam um efeito protetor comparável em ensaios clínicos controlados. Meta-análises de estudos clínicos aleatorizados indicam que os suplementos alimentares com antioxidantes não protegem, de forma geral, contra o enfarte do miocárdio ou o acidente vascular cerebral (AVC).
A razão reside na sinergia dos nutrientes: os legumes com vitamina C nunca fornecem ácido ascórbico isolado, mas sim uma matriz rica em vitaminas, minerais, fibras, fitoquímicos e outros antioxidantes bioativos. Estes compostos atuam em conjunto, sendo substancialmente mais eficazes do que uma substância isolada numa cápsula.
Veja-se o exemplo da urtiga: fornece não só 333 mg de vitamina C, mas simultaneamente magnésio, cálcio, vitamina A, ferro e fibras vegetais ricas em clorofila. O organismo consegue aproveitar esta combinação nutricional de forma ideal — enquanto um suplemento de vitamina C contém apenas ácido ascórbico.
Como é que o organismo absorve a vitamina C dos suplementos?
A biodisponibilidade da vitamina C através de suplementos diminui drasticamente à medida que a dose aumenta. Enquanto o organismo absorve cerca de 90% de doses baixas provenientes da alimentação (cerca de 15 mg), a taxa de absorção desce para menos de 50% em suplementos de dosagem elevada (1250 mg). O corpo reconhece a dose anormalmente alta e bloqueia ativamente a absorção através da mucosa intestinal.
Mesmo que tome 2000 mg de vitamina C por dia sob a forma de suplemento — dez vezes mais do que a dose diária ideal —, o organismo elimina a grande maioria através da urina e das fezes. Os níveis no sangue mantêm-se no mesmo patamar alcançado com 200 mg provenientes de fontes naturais. Embora o corpo tolere o excesso (por ser uma vitamina hidrossolúvel e não tóxica), não tira qualquer partido dele.
Existem situações em que os suplementos de vitamina C fazem sentido?
Em circunstâncias pontuais, a toma de suplementos de vitamina C pode ser indicada: em casos diagnosticados de défice vitamínico, durante patologias graves com necessidades acrescidas, em dietas extremamente restritivas ou quando limitações médicas impedem o consumo regular de fruta e legumes frescos.
No entanto, para a grande maioria da população, seguir as orientações da Direção-Geral da Saúde e consumir 5 porções de fruta e hortícolas por dia é suficiente para atingir sem dificuldade os 200 mg diários recomendados de vitamina C — obtendo um perfil completo de nutrientes que nenhum suplemento consegue replicar. Compensa muito mais investir em legumes frescos de qualidade do que em comprimidos dispendiosos.
Como atingir 200 mg diários sem recorrer a suplementos
De quantas porções de legumes precisa para obter 200 mg de vitamina C?
A regra prática é simples: uma porção média de fruta ou legumes fornece cerca de 50 mg de vitamina C. Ao consumir 5 porções por dia, alcança 250 mg — um valor confortavelmente acima da meta ótima de 200 mg. A recomendação das «5 porções diárias» não foi estabelecida ao acaso, assentando rigorosamente nestas evidências nutricionais.
Naturalmente, a quantidade varia de acordo com as espécies hortícolas. Para quem procura saber quais são os alimentos mais ricos em vitamina c para planear as refeições, a densidade nutricional faz toda a diferença: enquanto 60 g de urtiga fornecem logo 200 mg, seriam necessários cerca de 400 g de couve-lombarda. Ao combinar estrategicamente os legumes com mais vitamina C, consegue satisfazer as necessidades diárias em apenas 2 a 3 porções.
Que planos diários práticos pode seguir?
Exemplo 1 – Dia com couves e hortícolas:
- Pequeno-almoço: Batido verde com 30 g de salsa fresca (48 mg)
- Almoço: 100 g de couve-de-bruxelas cozida a vapor como acompanhamento (110 mg)
- Lanche: 1 pimento vermelho cru (aprox. 100 g = 140 mg)
- Total: 298 mg – muito acima do valor ideal!
Exemplo 2 – Dia de alimentos crus:
- Pequeno-almoço: Palitos de legumes com 100 g de pimento vermelho cru (140 mg)
- Almoço: Salada farta com 50 g de rúcula (31 mg) e bastante salsa (20 g = 32 mg)
- Jantar: Salada de couve-rábano crua 100 g (62 mg)
- Total: 265 mg – meta ideal alcançada!
Exemplo 3 – Plano de inverno:
- Pequeno-almoço: Batido verde com 20 g de salsa (32 mg)
- Almoço: 150 g de couve-galega estufada (aprox. 140 mg após perda de cozedura)
- Jantar: Salada de brócolos crus 80 g (76 mg)
- Total: 248 mg – mais do que suficiente!
A que pormenores deve ter atenção ao fazer as compras?
A frescura é o critério decisivo: quanto mais fresco for o legume, maior será o seu teor de vitamina C. Privilegie produtos de origem nacional, locais e da época — os hortícolas colhidos maduros e sujeitos a trajetos curtos de transporte concentram muito mais vitaminas do que mercadorias importadas colhidas antes do tempo.
No inverno, recorra às couves tradicionais como a couve-galega, a couve-de-bruxelas, a couve-lombarda e a couve-roxa — que estão no auge da época e garantem uma densidade nutricional máxima. Na primavera, o alho-dos-ursos e as ervas aromáticas frescas enriquecem a ementa. Já o pimento vermelho, os brócolos e a salsa encontram-se disponíveis durante todo o ano.
Guarde os hortícolas num local fresco, ao abrigo da luz e durante o menor tempo possível. Confecione os legumes ricos em vitamina C no espaço de 2 a 3 dias após a compra. Caso necessite de armazenar por períodos mais longos, prefira legumes ultracongelados — que são, na verdade, mais ricos em vitaminas do que produtos frescos guardados no frigorífico durante vários dias.
É possível ingerir vitamina C a mais através dos legumes?
Não, uma sobredosagem através de fontes alimentares naturais é praticamente impossível. A vitamina C é hidrossolúvel, pelo que o excesso é simplesmente eliminado através dos rins. Mesmo que ingira 500 a 1000 mg de vitamina C por dia através de legumes, o seu organismo regula automaticamente as concentrações sanguíneas dentro dos parâmetros ideais.
Ao contrário das vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K), que se acumulam no organismo, as vitaminas hidrossolúveis como a vitamina C não apresentam risco de hipervitaminose por via alimentar. Os mecanismos de regulação do próprio corpo — absorção intestinal controlada e filtração renal — asseguram um equilíbrio perfeito.
A única exceção aplica-se a pessoas com patologias renais ou perturbações genéticas do metabolismo, situações em que doses muito elevadas de vitamina C devem ter acompanhamento médico. Para indivíduos saudáveis, a regra mantém-se: quanto mais hortícolas ricos em vitaminas incluir na alimentação diária, melhor.
Fontes científicas
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