Retinol: bom ou mau para a pele? Esta é a dúvida de milhões de pessoas que procuram soluções eficazes contra o envelhecimento cutâneo. Se quer saber sobre o retinol para que serve e quais são os seus benefícios reais, a resposta da ciência é inequívoca: o retinol é um dos princípios ativos com maior comprovação científica no combate ao envelhecimento da pele. Os estudos revelam resultados impressionantes: menos 44% de rugas após um ano, uma melhoria de 84% nas manchas de pigmentação e um aumento de 80% na produção de colagénio. Contudo, existem diferenças cruciais entre o retinol seguro e de venda livre e a tretinoína sujeita a receita médica, cujo uso cosmético é proibido na Europa. Neste artigo, descubra tudo sobre como aplicar corretamente, os efeitos secundários e por que razão deve integrar o retinol na sua rotina de cuidados de pele a partir dos 30 anos.
Índice
- Principais conclusões
- O que é o retinol, para que serve e como atua?
- O efeito impressionante do retinol na pele
- Como usar retinol: dosagem e quando aplicar
- Efeitos colaterais do retinol: como minimizar a irritação da pele
- Retinol vs. Tretinoína: a diferença decisiva
- AVISO: Por que razão a tretinoína é problemática para fins cosméticos
- Retinaldeído: a alternativa suave
- Quem não deve usar retinol?
- Encontrar o melhor creme com retinol: o que ter em conta?
- Fontes científicas
Principais conclusões
- O retinol tem eficácia comprovada pela ciência: 52 semanas de utilização reduzem os pés de galinha em 44% e as manchas de pigmentação em 84% — resultados significativamente superiores ao placebo.
- A produção de colagénio aumenta drasticamente: Após 10 a 12 meses, a síntese de colagénio aumenta 80%, enquanto sem retinol diminui 14%.
- O retinol é seguro quando usado corretamente: Concentração de 0,1% a 0,3%, aplicação à noite, apenas 5% a 8% são absorvidos sistemicamente — sem risco de sobredosagem quando usado isoladamente.
- Recomendado a partir dos 30 anos: Quanto mais cedo começar, melhor — mas iniciar aos 70 anos continua a valer a pena.
- Rotina ideal: Protetor solar + Retinol: Proteção UV de manhã, retinol à noite — esta combinação é cientificamente a estratégia antienvelhecimento mais eficaz.
- A progressão gradual evita irritações: Comece com 2 vezes por semana, aumente após algumas semanas para noites alternadas e, por fim, diariamente — permitindo que a pele se adapte.
- CRUCIAL – A tretinoína é diferente: A tretinoína sujeita a receita médica é PROIBIDA na UE para fins cosméticos. Um estudo clínico foi inclusive interrompido devido ao aumento da mortalidade (19 vs. 14 óbitos).
- Atenção às contraindicações: Não utilizar durante a gravidez/amamentação (efeito teratogénico), em peles sensíveis, dermatite atópica ou em combinação com suplementos de vitamina A.
O que é o retinol, para que serve e como atua?
Retinol – o que é?
O retinol é uma forma de vitamina A e pertence à família dos retinoides. Encontra-se disponível para venda livre em produtos cosméticos e é convertido pelo organismo na pele em pequenas quantidades de ácido retinoico — a forma biologicamente ativa que desencadeia os efeitos antienvelhecimento e estimula a renovação celular.
Retinoides é o termo genérico que engloba todos os derivados da vitamina A. Entre eles contam-se:
- Ésteres de retinilo (acetato de retinilo, palmitato de retinilo, propionato de retinilo) – a forma mais fraca, geralmente sem eficácia comprovada cientificamente
- Retinol – de venda livre, eficaz, com um excelente equilíbrio entre eficácia e tolerância
- Retinaldeído – de venda livre, eficácia semelhante ao retinol, ligeiramente mais suave
- Tretinoína (ácido retinoico) – sujeita a receita médica, ação mais potente, mas também com a taxa mais elevada de efeitos secundários e preocupações de segurança
Qual é o efeito do retinol na pele?
O retinol atua em vários níveis em simultâneo:
1. Estimular a produção de colagénio: Na derme, a camada intermédia da pele, o retinol estimula a síntese de fibras de colagénio. Estas fibras proteicas conferem estabilidade e firmeza à pele. Com o avançar da idade, a produção de colagénio diminui naturalmente — o retinol reverte este processo.
2. Reduzir o stress oxidativo: O oxigénio desencadeia reações químicas na pele conhecidas como stress oxidativo, que aceleram a degradação do colagénio. O retinol atua como antioxidante, neutralizando estes processos prejudiciais.
3. Inativar as metaloproteinases da matriz: Estas enzimas degradam o colagénio. O retinol bloqueia a sua atividade, prevenindo assim a perda de colagénio associada à idade.
4. Melhorar a junção entre a epiderme e a derme: Com a idade, a adesão estrutural entre a epiderme (camada superficial) e a derme (camada intermédia) atenua-se. O retinol restaura esta estrutura, proporcionando uma pele mais firme e rejuvenescida.
O que faz o retinol no rosto em termos práticos?
Os efeitos visíveis após vários meses de aplicação regular incluem:
- Redução de rugas finas e profundas (44% de melhoria após 1 ano)
- Atenuação de manchas de pigmentação, manchas da idade e tom de pele irregular (redução de 84%)
- Textura global da pele mais lisa e uniforme
- Pele visivelmente mais firme e tonificada devido ao aumento da densidade de colagénio
- Poros com aparência ótica reduzida
O efeito impressionante do retinol na pele
Qual é a comprovação científica da eficácia do retinol?
As evidências a favor do retinol são incontestáveis. Um estudo aleatorizado, duplamente cego e controlado por placebo — o padrão de ouro da investigação médica — demonstrou, após 52 semanas de aplicação diária de retinol, uma melhoria de 44% nos pés de galinha (linhas finas ao redor dos olhos) e uma melhoria de 84% nas manchas de pigmentação.
Estes resultados apresentaram uma diferença estatisticamente significativa em comparação com o grupo de placebo. Isto significa que os benefícios não resultam de ilusão ou de variações naturais — são reais e mensuráveis.
O que acontece ao colagénio durante o tratamento com retinol?
As biópsias cutâneas — amostras de tecido recolhidas antes e após 10 a 12 meses de tratamento — revelam dados impressionantes:
- Grupo de controlo (sem retinoide): A síntese de colagénio diminuiu 14% — o processo natural de envelhecimento continuou a avançar.
- Grupo com retinoide: A síntese de colagénio aumentou 80% — uma inversão extraordinária do processo de envelhecimento cutâneo.
Embora estes valores provenham de estudos com tretinoína sujeita a receita médica, o retinol apresenta efeitos semelhantes, ainda que ligeiramente mais moderados, com uma tolerabilidade francamente superior.
Quanto tempo demora o retinol a fazer efeito?
A paciência é fundamental. As primeiras alterações visíveis surgem geralmente após 8 a 12 semanas. As melhorias expressivas tornam-se evidentes aos 6 meses, enquanto os efeitos máximos consolidam-se após 12 meses de utilização contínua.
Pode parecer um período longo, mas lembre-se: o envelhecimento da pele é um processo que dura décadas. A sua reversão exige tempo. O segredo reside na consistência: uma rotina regular ao longo de meses e anos.
Como usar retinol: dosagem e quando aplicar
Quando se deve aplicar o retinol?
A recomendação é clara: À noite, antes de deitar.
Por que razão o retinol só deve ser aplicado à noite? Existem vários motivos essenciais:
- Fotossensibilidade: O retinol pode aumentar a sensibilidade cutânea à luz solar. Durante a noite, este problema não se coloca.
- Regeneração da pele: A renovação celular e a regeneração cutânea ocorrem sobretudo durante o sono. O retinol potencia este processo biológico natural.
- Sem interferência com o protetor solar: De manhã aplica o protetor solar; à noite, o retinol tem horas suficientes para atuar em profundidade.
Com que idade se deve começar a usar retinol?
A perspetiva dos especialistas: O retinol faz sentido a partir dos 30 anos. Antes dos 30 anos, a síntese natural de colagénio é, na maioria dos casos, suficientemente elevada. A partir dos 30, a degradação do colagénio começa a acelerar — sendo a altura ideal para iniciar cuidados de pele preventivos contra o envelhecimento cutâneo.
No entanto, começar aos 40, 50, 60 ou 70 anos continua a valer a pena. Os estudos confirmam que o retinol atua em qualquer idade. Quanto mais cedo começar, mais sinais de envelhecimento conseguirá prevenir, mas mesmo numa fase posterior é perfeitamente possível obter melhorias visíveis.
Como aplicar o sérum de retinol corretamente?
O passo a passo para uma rotina de aplicação perfeita:
- Limpar o rosto: Remova cuidadosamente a maquilhagem e as impurezas.
- Secar a pele: Aguarde 5 a 10 minutos. Na pele perfeitamente seca, o retinol atua melhor e provoca menos irritação.
- Aplicar o sérum de retinol: Bastam algumas gotas (o tamanho de uma ervilha) para todo o rosto. Massaje suavemente, evitando o contorno dos olhos.
- Deixar absorver: Aguarde 10 a 15 minutos.
- Aplicar o creme hidratante: Opcional, mas altamente recomendado em caso de pele seca.
Importante: Se aplicar retinol à noite, use SEMPRE protetor solar (FPS 30+) na manhã seguinte!
Qual é a concentração indicada?
Para quem está a começar: 0,1% de retinol é uma excelente dosagem inicial. Esta concentração está presente em muitos produtos de venda livre e assegura um equilíbrio ótimo entre eficácia e boa tolerância cutânea.
Após alguns meses, pode aumentar para 0,3% — a concentração máxima considerada segura para produtos cosméticos de acordo com as diretrizes da União Europeia.
As loções corporais não devem exceder 0,05% de retinol, uma vez que abrangem áreas corporais mais extensas e aumentam a absorção total.
Efeitos colaterais do retinol: como minimizar a irritação da pele
O retinol seca a pele?
Sim, o retinol pode desidratar e secar a pele — em especial durante as primeiras semanas de tratamento. Trata-se de uma reação frequente, mas que não deve ser motivo de alarme. A pele adapta-se gradualmente ao longo do tempo.
Outros efeitos secundários habituais na fase inicial:
- Vermelhidão
- Ligeira sensação de ardor ou picada
- Descamação da pele
- Prurido ligeiro
Geralmente, estes sintomas manifestam-se nas primeiras duas semanas, atingem um pico e regridem de seguida. A boa notícia é que, com o retinol, estes efeitos colaterais e secundários são substancialmente mais raros e suaves do que com a tretinoína sujeita a receita médica.
Como minimizar os efeitos do retinol e a sensibilidade cutânea?
A estratégia comprovada da progressão lenta:
Semanas 1 a 4: Aplicar à noite 2 vezes por semana (por exemplo, segunda e quinta-feira)
Semanas 5 a 8: Aplicar em noites alternadas (dia sim, dia não)
A partir da 9.ª semana: Aplicar todas as noites (se a tolerância for boa)
Conselhos adicionais:
- Comece com uma concentração baixa (0,1%)
- Aplique na pele completamente seca (nunca húmida)
- Evite a zona do contorno ocular
- Aplique um creme hidratante nutritivo em seguida
- Em caso de irritação intensa: faça uma pausa e retome com menor frequência
Os efeitos secundários são perigosos?
Não. Os efeitos secundários habituais do retinol são desconfortáveis, mas não representam perigo. Indicam apenas que a pele se está a adaptar ao princípio ativo e que a renovação celular está a acontecer. Com a utilização correta (aumento progressivo e concentração adequada), o aparecimento de complicações graves é extremamente raro.
O cenário é diferente no caso da tretinoína com receita médica — tema abordado na secção seguinte.
Retinol vs. Tretinoína: a diferença decisiva
Qual é a diferença entre retinol e tretinoína?
Ambos pertencem à família dos retinoides, mas existem diferenças fundamentais:
| Característica | Retinol | Tretinoína |
|---|---|---|
| Disponibilidade | Venda livre (perfumaria, farmácia) | Sujeita a receita médica |
| Forma química | Retinol (convertido na pele em ácido retinoico) | Ácido retinoico (ácido trans-retinoico total, diretamente ativo) |
| Potência | Moderada (suficientemente eficaz) | Muito forte |
| Taxa de efeitos secundários | Baixa (geralmente bem tolerado) | Muito elevada (71% de “reação a retinoides”) |
| Estatuto na UE | Autorizado para cosmética | PROIBIDO para fins cosméticos |
| Segurança | Seguro em utilização correta | Aumento da mortalidade em estudo clínico (controverso) |
Por que razão a tretinoína é mais forte do que o retinol?
A tretinoína é a forma já ativa — o ácido retinoico. Não necessita de ser convertida pelo organismo e atua, por isso, de forma mais direta e intensa. O retinol, por seu turno, é transformado na pele de forma gradual e controlada em ácido retinoico, proporcionando uma ação mais suave.
Maior potência nem sempre significa melhor resultado. No caso da tretinoína, a eficácia superior faz-se acompanhar por um aumento drástico dos efeitos adversos.
Deve usar retinol ou tretinoína?
Para fins cosméticos antienvelhecimento: Sem dúvida o retinol.
O retinol oferece:
- Eficácia cientificamente comprovada (redução de 44% das rugas)
- Venda livre, sem necessidade de consulta ou receita médica
- Tolerabilidade substancialmente melhor
- Sem preocupações de segurança quando utilizado corretamente
- Legal na Europa para cuidados cosméticos
A tretinoína, pelo contrário, é proibida na UE para aplicações cosméticas — e por boas razões.
AVISO: Porque é que a tretinoína é problemática para fins cosméticos
Porque é que a tretinoína é proibida para cosmética na Europa?
A tretinoína (também conhecida como Retin-A, ácido retinoico all-trans) não está autorizada na União Europeia para fins cosméticos. O motivo: preocupações de segurança na sequência de um ensaio clínico que teve de ser interrompido.
O que aconteceu no estudo da Veterans Affairs?
O Veterans Affairs Topical Tretinoin Chemoprevention Trial foi desenhado como um estudo aleatorizado e controlado de 6 anos para avaliar se a tretinoína poderia prevenir o cancro de pele. Contudo, a investigação teve de ser suspensa antes do tempo previsto.
A razão: registou-se um número significativamente superior de mortes no grupo da tretinoína em comparação com o grupo do placebo.
No momento da interrupção do estudo:
- Grupo da tretinoína: 19 mortes
- Grupo do placebo: 14 mortes
A probabilidade de esta discrepância resultar de mero acaso é de cerca de 1 em 100 (p < 0,01), o que constitui um dado estatisticamente relevante.
A tretinoína é fatal?
Não dispomos de certezas absolutas. Existem duas explicações possíveis:
- Acaso estatístico: A diferença pode ter ocorrido fortuitamente. Com números reduzidos (19 vs. 14), este cenário é plausível, ainda que improvável.
- Efeito biológico real: A tretinoína poderá, efetivamente, aumentar o risco de mortalidade. Entre 1% e 8% do ácido retinoico aplicado por via tópica é absorvido sistemicamente — o que poderá desencadear consequências ainda desconhecidas.
Enquanto esta dúvida persistir, o recurso à tretinoína para fins estritamente cosméticos permanece questionável. O equilíbrio entre riscos e benefícios não é claro: em tratamentos com indicação médica (acne grave, fotoenvelhecimento severo), o risco poderá ser justificável. No entanto, para o rejuvenescimento cutâneo puramente cosmético — existindo alternativas seguras como o retinol —, tal não se justifica.
Elevada taxa de reações adversas: a “reação aos retinoides”
À margem da questão da mortalidade, a tretinoína apresenta uma incidência muito expressiva de reações secundárias:
- 71% dos utilizadores de tretinoína desenvolvem irritação na pele (vermelhidão, picadas, ardor, prurido e descamação)
- Em comparação: apenas 23% com retinaldeído e uma percentagem ainda menor com retinol
- 4% no grupo do placebo (reações cutâneas basais normais)
Curiosamente, esta irritação contínua pode constituir o próprio mecanismo de ação — a pele é forçada a uma renovação celular acelerada e permanente. Todavia, será este nível de agressão verdadeiramente saudável para o tecido cutâneo? Ou acarretará danos a longo prazo?
Ainda assim, faz sentido recorrer à tretinoína?
Para efeitos cosméticos antienvelhecimento: não.
Não se justifica assumir uma incerteza desta dimensão quando o retinol oferece resultados comprovados pela evidência científica — com uma tolerabilidade francamente superior e sem suscitar preocupações de segurança.
A tretinoína mantém o seu valor terapêutico em patologias dermatológicas graves. Contudo, nos cuidados de pele convencionais e na prevenção de rugas, o retinol afirma-se como a opção mais inteligente e segura.
Retinaldeído: a alternativa suave
O que é o retinaldeído?
O retinaldeído (frequentemente designado retinal) é outro retinoide que se posiciona entre o retinol e a tretinoína — tanto ao nível da potência de ação como da tolerabilidade. Encontra-se disponível sem receita médica e representa um compromisso equilibrado.
Qual a eficácia do retinaldeído em termos comparativos?
Um estudo clínico de 48 semanas comparou diretamente o retinaldeído com a tretinoína (ácido retinoico) e um placebo:
- Método de avaliação: Réplicas de silicone dos pés de galinha antes e após o tratamento, examinadas através de processamento digital de imagem de alta resolução (análise quantitativa e objetiva)
- Resultado: O retinaldeído alcançou uma redução de linhas finas e rugas comparável à da tretinoína
- Efeitos secundários: Apenas 23% de irritações cutâneas no grupo do retinaldeído vs. 71% na tretinoína vs. 4% no placebo
Em suma: o retinaldeído proporciona praticamente os mesmos benefícios da tretinoína sujeita a prescrição médica, mas com um terço das reações adversas.
Para quem é indicado o retinaldeído?
O retinaldeído é especialmente adequado para quem apresenta:
- Sensibilidade cutânea que dificulta a tolerância ao retinol
- Vontade de obter uma ação mais rápida e evidente do que com retinol, sem recorrer a receita médica
- Disponibilidade para um investimento superior (as fórmulas com retinaldeído tendem a ter um custo mais elevado)
A grande maioria das pessoas obtém excelentes resultados com retinol. Ainda assim, se a sua pele tem forte tendência a reagir ou se prefere uma transição mais suave, o retinaldeído é uma opção de excelência.
Quem não deve usar retinol?
O retinol é permitido na gravidez?
Não. As mulheres grávidas não devem utilizar retinol.
A vitamina A em doses elevadas apresenta efeitos teratogénicos (pode induzir malformações no feto). Muito embora a absorção sistémica do retinol tópico ronde apenas 5% a 8% — uma fração modesta —, a comunidade médica recomenda, por escrúpulo e prudência, que as grávidas se abstenham de todos os cosméticos formulados com retinoides.
Esta cautela fundamenta-se no perfil da isotretinoína, um fármaco oral derivado da vitamina A contra a acne que provoca malformações congénitas graves. Apesar de o retinol em creme envolver doses substancialmente inferiores, o risco biológico não pode ser inteiramente afastado.
É seguro usar retinol durante a amamentação?
Também neste período, a indicação é perentória: é preferível evitar.
Existe a possibilidade de pequenas frações de retinol passarem para o leite materno, não sendo recomendável expor o lactente a doses suplementares de vitamina A por esta via. Concluído o período de aleitamento, poderá retomar a sua rotina habitual de retinol com total tranquilidade.
Em que patologias da pele o retinol está contraindicado?
Quem apresente os seguintes quadros dermatológicos deve abster-se do uso de retinol:
- Dermatite atópica (eczema atópico): A barreira cutânea encontra-se cronicamente inflamada e fragilizada. O retinol agravaria significativamente o quadro clínico.
- Pele excessivamente sensível e seca: Caso a pele reaja a produtos neutros com ardor e rubor imediato, o retinol não é recomendável.
- Rosácea: Trata-se de uma afeção vascular e inflamatória que pode ser amplificada pelo retinol, impondo-se a máxima contenção.
- Lesões abertas, eczemas ativos ou infeções cutâneas: Deve aguardar a completa regeneração da epiderme antes de ponderar qualquer retinoide.
O que não usar com retinol: que combinações deve evitar?
Impõe-se precaução na utilização concomitante com:
- Suplementos alimentares de vitamina A: Risco real de hipervitaminose. Cerca de 5% da população em Portugal ingere já quantidades substanciais de vitamina A através de complexos vitamínicos. O aporte complementar proporcionado pela absorção de um cosmético com retinol pode exceder os limites seguros.
- Outros princípios ativos altamente potentes: Os ácidos esfoliantes AHA e BHA (ácido glicólico, lático ou salicílico), o peróxido de benzoílo e a vitamina C pura não devem ser aplicados em simultâneo com o retinol — separe-os entre a rotina da manhã e da noite ou intercale-os em dias distintos.
Que grupos populacionais exigem especial vigilância?
Mulheres pós-menopáusicas com risco acrescido de osteoporose: O excesso cumulativo de vitamina A está associado a uma diminuição da densidade óssea e a uma maior incidência de fraturas. O creme com retinol isolado não acarreta perigo (apenas 5% a 8% de absorção sistémica). No entanto, quando associado a suplementação vitamínica diária, a carga global de vitamina A pode atingir patamares indesejáveis.
Curiosamente, esta faixa etária constitui um dos segmentos que mais procura produtos de combate ao envelhecimento cutâneo. Não é obrigatório prescindir do retinol — basta não associar suplementos dietéticos de vitamina A sem expressa prescrição clínica.
Como escolher o melhor creme com retinol: a que pormenores deve estar atento?
Qual é a concentração ideal de retinol?
Para quem inicia a utilização: 0,1% de retinol
Após alguns meses de adaptação: 0,3% de retinol (o limite máximo estipulado como seguro pela legislação da UE para cuidados faciais)
Existem marcas no mercado que anunciam teores mais elevados. Importa sublinhar que dosagens superiores não equivalem necessariamente a maiores benefícios — ultrapassado o limiar recomendado, apenas se intensificam os efeitos colaterais do retinol, sem ganhos proporcionais de eficácia.
Onde se devem adquirir produtos com retinol?
Dispõe fundamentalmente de dois canais:
1. Grandes superfícies e perfumarias: Apresentam uma oferta alargada e preços acessíveis, mas não disponibilizam acompanhamento técnico especializado.
2. Farmácia: Proporciona aconselhamento técnico farmacêutico indispensável para selecionar a fórmula adequada ao seu tipo de pele. Embora os valores possam ser ligeiramente mais elevados, beneficia de formulações dermocosméticas rigorosas e orientações individualizadas.
Para quem ainda está a perceber o retinol para que serve e como o integrar pela primeira vez, a farmácia é o ponto de partida ideal para prevenir erros de aplicação e reações indesejadas.
Que componentes deve procurar no rótulo?
Uma fórmula dermocosmética de qualidade com retinol deve integrar:
- Retinol estabilizado: O retinol degrada-se facilmente perante a luz e o oxigénio. Fórmulas de qualidade recorrem a tecnologias de microencapsulamento ou embalagens opacas com doseador airless.
- Agentes hidratantes e reparadores: Ácido hialurónico, glicerina e ceramidas — substâncias fundamentais para compensar a perda transepidérmica de água e reduzir a descamação.
- Antioxidantes sinérgicos: A vitamina E ou a niacinamida reforçam a barreira cutânea e potenciam os resultados antienvelhecimento.
Evite formulações com:
- Ésteres de retinil (palmitato de retinilo, acetato de retinilo): Apresentam uma conversão biológica quase nula. Ensaios com 48 semanas de aplicação diária contínua não evidenciaram diferenças face ao placebo.
- Perfumes e fragrâncias sintéticas: Aumentam a probabilidade de irritações e sensibilização cutânea.
Sérum, creme ou gel: qual a textura mais adequada?
A formulação deve ser selecionada de acordo com as características da sua pele:
- Sérum: Textura fluida, de absorção imediata e habitualmente com maior concentração de ativos. Ideal para pele mista a oleosa.
- Creme: Textura mais rica e relipidante, que favorece a barreira de hidratação. A escolha certa para pele seca.
- Gel: Fórmula ultra-leve e matificante. Excelente para pele com excesso de sebo e tendência acneica.
A textura do veículo é secundária face à qualidade, estabilidade e concentração do retinol na formulação.
Como conservar corretamente os cosméticos com retinol?
O retinol é uma molécula particularmente instável:
- Armazene num local fresco e ao abrigo da luz solar (evite a casa de banho devido aos picos de humidade e calor)
- Assegure-se de que a tampa fica sempre hermeticamente fechada (minimizando o contacto com o ar)
- Respeite o período de validade após a abertura (PAO), geralmente entre 6 e 12 meses
- O produto ganhou uma tonalidade amarelada ou acastanhada? Significa que oxidou e deve ser deitado fora
Fontes científicas
- Randhawa M, Rossetti D, Leyden JJ, et al. One-year topical stabilized retinol treatment improves photodamaged skin in a double-blind, vehicle-controlled trial. J Drugs Dermatol. 2015;14(3):271-280.
- Griffiths CE, Russman AN, Majmudar G, Singer RS, Hamilton TA, Voorhees JJ. Restoration of collagen formation in photodamaged human skin by tretinoin (Retinoic acid). N Engl J Med. 1993;329(8):530-535.
- Creidi P, Vienne MP, Ochonisky S, et al. Profilometric evaluation of photodamage after topical retinaldehyde and retinoic acid treatment. J Am Acad Dermatol. 1998;39(6):960-965.
- Weinstock MA, Bingham SF, Lew RA, et al. Topical tretinoin therapy and all-cause mortality. Arch Dermatol. 2009;145(1):18-24.
- Scientific Committee on Consumer Safety. Opinion on Vitamin A (Retinol, Retinyl Acetate, Retinyl Palmitate) Scientific Committee on Consumer Safety; Brussels, Belgium: 2016.
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